domingo, 27 de fevereiro de 2011

poluição atmosférica

POLUIÇÃO DO AR

INTRODUÇÃO

Ao pretender educar para a formação integral do aluno e prepará-lo para
o exercício consciente da cidadania, os professores de química buscam com
freqüência as questões ambientais e seus efeitos com o objetivo de incluí-los
dentro dos conteúdos de química.
A abordagem característica das questões ambientais se situa na obviedade
da menção e da exemplificação dentro dos conteúdos. Este tipo de abordagem leva
a dois equívocos:
- a química estraga, suja e polui o ambiente. É uma ciência perniciosa que não
merece o estudo dos alunos.
- usa-se a questão ambiental apenas para exemplificar.
Esses dois equívocos não permitem utilizar a ciência para explicar e
buscar soluções para as questões ambientais. Não permite questionar o porquê das
situações de desequílibrio e os mecanismos de transformação do meio ambiente
não faz parte do conhecimento dos alunos. A relação entre os vários ramos da
ciência sequer é mencionado.
Não sabemos até que ponto um ambiente suporta um determinado tipo de
agressão. A questão de se localizar a poluição não tem sentido se servir só para
alarmar o aluno. O que aos professores compete é esclarecer que o que ocorre em
Cubatão, ocorre na Grande Porto Alegre, mas não no mesmo nível e quantidade.
Toda a questão que aborde poluição deve ensejar a vinculação dos
diferentes tipos de poluição em um ciclo fechado. A poluição do ar provoca a
poluição da água, que provoca a poluição do solo e vice-versa.
Quanto a poluição do ar, sabe-se que o avanço da tecnologia vem
acompanhado de gastos de energia que, tornam viáveis as constantes descobertas.
Produzir energia, geralmente, é o principal motivo da poluição do ar, pois os
automóveis, fábricas, usinas termoelétricas espalhadas pelo mundo usam, na
maioria das vezes, a energia dos combustíveis. Os principais poluentes
atmosféricos são os gases tóxicos lançados pelas indústrias e pelos veículos
movidos a petróleo e, os compostos tóxicos formados no ar a partir de elementos
componentes dos gases desprendidos pelos motores e chaminés que reagem, com o
auxílio da luz, com os elementos da atmosfera.
Para que se trabalhe os conteúdos relacionados a esse tema de forma que
a aprendizagem dos alunos seja significativa é importante levar em consideração
os seguintes aspectos:
¨ o assunto abordado deve ser do universo imediato (cotidiano) do aluno.
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¨ as atividades propostas devem levá-lo a pensar, criar conhecimentos ou
recriá-los.
¨ as atividades devem oportunizar operações de pensamento.
O ensino como processo , a habilidade de pensar como culminância, a
postura aberta para a realidade criam alunos críticos, atentos, criativos, capazes de
julgar e influir em mudanças, sustentar e aceitar opiniões. Serão cidadãos no pleno
gozo de suas faculdades. É uma opção política do professor enveredar por este
caminho.
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JUSTIFICATIVAS TEÓRICAS
Aprender significa interiorizar ações e mudar comportamentos por meio
de participação ativa do educando no processo de ensino-aprendizagem.
Para que uma aprendizagem seja significativa são pontos importantes que
o assunto abordado seja do universo imediato (cotidiano) do aluno e que sua
aprendizagem ocorra com a promoção de atividades que o levem a pensar e a criar
conhecimento ou recriá-lo para seu universo.
Esta aprendizagem significativa pode ocorrer através da oportunização de
operações de pensamento, como as sugeridas por Louis Raths em seu livro:
"Ensinar a Pensar" (Editora Pedagógica e universitária, São Paulo, 1977).
Sustenta ele: "A sociedade livre que tentamos criar exige inteligências
livres. Uma população que não possua ou não deseje pensar sobre seus problemas
não ficará livre e independente por muito tempo".
Raths, entende o ensino como um processo e a atividade de pensar sua
culminância. Sugere uma série de atividades possíveis em sala de aula que,
segundo ele, dão ao aluno oportunidade de pensar.
"O pensamento tem que ser feito sozinho; caso contrário será alguma
outra coisa. É necessariamente pessoal e criador". Logo, o professor não ensina a
pensar. Cria oportunidades para que os alunos possam exercitar esta faculdade
própria do ser humano.
O tema abordado no presente trabalho é o cotidiano de todos nós: a
poluição do ar. Procura enfatizar a química que está ao redor de nós, justificando
por outro lado o estudo de assuntos normalmente áridos e sem interesse.
É dada ênfase nas operações de pensamento como atividade de
"descobrimento" dos assuntos e explicação dos fatos, tais como interpretação de
textos, de dados, de tabelas e de gráficos; confecção de tabelas e gráficos e sua
interpretação, como elaboração de conclusões a partir dos dados apresentados.
Estas operações de pensamento se adequam perfeitamente ao assunto pois o seu
domínio faz parte das necessidades diárias de um cidadão plenamente integrado ao
seu mundo.
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CONTEÚDOS ABORDADOS
Introdução: leitura e interpretação de artigos de jornal
sobre poluição ambiental
Caracterização de ar limpo e poluído: composição do ar e identificação dos
principais poluentes. Fontes de contaminantes primários. Efeitos na saúde.
SO2: estrutura,
classificação, reações
químicas, reações
redox,
estequiometria,
efeitos sobre a saúde
NOx: reações de
obtenção,
classificação, reações
químicas, força dos
ácidos, molaridade,
efeitos sobre a saúde
CO e CO2: origem,
reações de
combustão,
hidrocarbonetos,
classificação,
características,
efeitos sobre a saúde
Chuva ácida: pH de forma qualitativa,
cálculos de pH a partir da molaridade,
equilíbrios iônicos, força e
neutralização (e de dupla troca) de
ácidos, efeitos sobre o meio ambiente e
para a saúde
Efeito estufa, camada de
ozônio, CFC
O que pode ser feito
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OPERAÇÕES DE PENSAMENTO PREVISTAS
CONTEÚDO OPERAÇÕES DE PENSAMENTO
1 - Introdução:
leitura do texto
Interpretar o texto; decidir os ítens mais
relevantes e a idéia central do texto.
2 - Caracterização do ar
limpo e do ar poluído
Comparar ar limpo e ar poluído; interpretar
tabela de condições do ar; relacionar
concentração de poluentes e efeitos sobre a
saúde; identificar as principais fontes
poluidoras.
3- Contaminantes
primários
Identificar e classificar quimicamente os
principais poluentes e as reações químicas que
podem provocar; interpretar tabelas de dados e
textos sobre os efeitos dos poluentes sobre o
organismo humano; interpretar gráfico e
concluir pelas fases de operação do motor com
máxima e mínima produção de determinado
poluente; elaborar tabelas de dados, gráfícos e a
partir destes concluir pela relação entre a
concentração de poluentes e os efeitos sobre o
organismo, identificando ainda os limites de
tolerância para determinado poluente; relacionar
as concentrações de tabela com molaridade.
4 - Chuva Ácida Interpretar a escala de pH; comparar o pH da
chuva normal e da chuva ácida; relacionar
variação de acidez com variação de pH;
relacionar concentração de poluentes com
efeitos sobre o organismo e com a acidez da
chuva e os efeitos sobre o meio ambiente.
5 - O que pode ser feito? Concluir a respeito do grau de poluição dos
combustíveis: elaboração de tabelas, gráficos e
analisar os gráficos e concluir pelas condições
de emissão de poluentes; propor soluções para a
diminuição e prevenção da poluição atmosférica.
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DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO
1 - INTRODUÇÃO
a) Leia atentamente os textos extraídos do jornal Zero Hora e da revista
Superinteressante. Assinale palavras ou expressões que você não conhece.
b) Selecione 5 informações que você considera mais relevantes nos textos.
Relacione-as com explicações porventura contidas nos artigos.
Informações Explicações
1. 1.
2. 2.
3. 3.
4. 4.
5. 5.
c) Quais as idéias centrais dos textos? Indique, a seu juízo, duas idéias secundárias
em relação às idéias centrais.
AMBIENTE: PARADOS E SUFOCADOS
Com a chegada do inverno, a poluição do ar nas grandes cidades
brasileiras aumenta assustadoramente por causa da inversão térmica, fenômeno
que faz com que os poluentes se dissipem. A maior culpada pela sujeira é a
gigantesca frota de veículos, que emite nove vezes mais substâncias tóxicas do
que as indústrias. Com o trânsito parado, tudo fica pior. Por isso foi proposto que
São Paulo, a maior metrópole do país, adotasse, a exemplo de outras
megalópoles do mundo, o rodízio de carros, com o objetivo de tirar 20% de
automóveis das ruas e diminuir o sufoco.
Há cem anos, quando o americano Henry Ford começou a produzir
carros em série, ninguém imaginava a dor de cabeça que as longas filas de
automóveis iriam provocar no futuro. Em São Paulo, onde circulam cerca de
cinco milhões de veículos, a média de congestionamento nos horários de pico é de
100 quilômetros e esses carros parados jogam no ar toneladas de gases e
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partículas químicas. Quando a velocidade de 30 quilômetros por hora diminui
para 20 quilômetros horários, por exemplo, o consumo de combustível mistura
cerca de 30% a mais de substâncias tóxicas no oxigênio que se respira.
Figura I: Formação da poluição
Os poluentes jogados pelos veículos são sobras da queima de
combustível. A Companhia de Saneamento Ambiental de São Paulo (CETESB)
avalia os novos modelos lançados no mercado para garantir que os automóveis e
ônibus saiam da fábrica emitindo o mínimo de substâncias nocivas à saúde e ao
meio ambiente, mas a quantidade de poluentes também depende do tipo de
combustível.
Tabela I: Veja o que sai dos escapamentos
Monóxido
de carbono
Hidrocarbonetos
Óxidos
nitrosos Enxofre Fuligem
Gasolina 27,7 2,7 1,2 0,22 0,21
Álcool 16,7 1,9 1,2 0 0
Diesel 17,8 2,9 13,0 2,72 0,81
Gás natural 6,0 0,7 1,1 0 0
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O álcool polui menos e, por isso, desde 1980 é adicionado a gasolina
que é vendida no Brasil, sendo 78% de gasolina e 22% de álcool. Em 1990,
surgiu em Porto Alegre o “diesel metropolitano”, uma mistura de combustíveis
que hoje é comum em todas as grandes cidades do mundo. A Secretaria de Meio
Ambiente de Porto Alegre pressiona a Petrobrás para que faça um composto do
diesel importado com o nacional, já que o importado tem alto teor de enxofre,
com essa mistura o teor de enxofre baixou de 1,1% para 0,5%. Em janeiro deste
ano o uso do gás natural (combustível limpo ) foi liberado para os todos veículos,
sendo que até então somente era utilizado nos táxis.
Assim como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre também sofrem
com a poluição do ar por causa da inversão térmica no inverno. Nas outras
estações, o sol aquece a superfície, que por sua vez esquenta a camada de ar
acima dele e como esse ar é menos denso ele sobe carregando os poluentes. No
inverno, o calor da terra não é suficiente para aquecer o ar, então a camada fria
fica presa próxima ao chão, segurando a poluição. Outro agravante é a falta de
chuvas, pois os poluentes pairam no ar por mais tempo até se depositarem sobre
prédios, casas e carros. Aí, quando a água cai, carrega os gases e partículas que
estão em suspensão, esta chuva ácida, ao contrário do que se imagina não é
prejudicial nas cidades e ainda ajuda a limpar o ar. O problema é quando os
poluentes entram em alguma nuvem e viajam para fora da região metropolitana,
contaminando mananciais de água e produção de alimentos.
A irritação que surge nas pessoas presas em um congestionamento é um
dos sintomas dos efeitos da poluição no trânsito engarrafado, depois vêm outros
problemas: olhos lacrimejantes, ligeira dor de garganta e o pigarro, produzido
pelas mucosas da garganta na defesa do organismo. Se o tempo de exposição a
poluição for longo, o pulmão e até o coração podem ser afetados.
Fonte: Superinteressante, junho de 1996.
O efeito estufa é apenas um dos problemas previstos em decorrência da
ação dos poluentes atmosféricos. Cada gaúcho, por exemplo, aspira durante o ano
mais de 50 quilos de produtos químicos. Estes gases causam danos às edificações,
diminuição da capacidade respiratória e da acidez das águas, já detectadas em
Porto Alegre.
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POLUIÇÃO: O PERIGO ESTÁ NO AR
O ar do Rio Grande do Sul é pesado - literalmente pesado. Cada um dos
9 milhões de gaúchos respirou no ano passado, além do oxigênio, uma mistura
com 51 quilos de poluentes variados. Somados, eles se distribuem entre três
quilos de gás carbônico, nove quilos de hidrocarbonetos, 13 quilos de óxidos de
nitrogênio, 12 quilos de derivados de enxofre e 14 quilos de poeira.
Fo
nte: Superinteressante, junho de 1996
Figura II: Poluição: o perigo está no ar.
Este é o teor dos produtos químicos que cada um dos gaúchos ingeriu,
tomada como base a análise do material lançado na atmosfera pelas 30.400
indústrias registradas no Estado. Elas liberam, em conjunto, mais de 500 mil
toneladas de poluentes atmosféricos por ano. Não estão incluídas neste
levantamento, feito a partir de dados publicados por órgãos ambientais estaduais,
as emanações provenientes da descarga de veículos - maior fator de poluição
aérea em qualquer país.
Os veículos liberam, durante a combustão, grandes quantias de CO
(monóxido de carbono) e SO2 (dióxido de enxofre), além de outros gases tóxicos
cujos efeitos variam de danos aos pulmões humanos até o retardamento no
crescimento das plantas.
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Levantamento realizado este ano através de convênio entre a Prefeitura
de Porto Alegre e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
demonstra que 57% dos gastos energéticos na capital gaúcha ocorrem por força
dos meios de transporte - proporção que resulta semelhante relação aos
poluentes aéreos.
Figura III: Consumo de combustíveis
A frota de veículos particulares responde por 51% dos gastos
energéticos com transporte em Porto Alegre. São 500 mil carros de passeio em
uma cidade com 1,3 milhão de habitantes. A média, portanto, é de dois
passageiros por veículo - uma das mais altas do Brasil e comparável à de países
do Primeiro Mundo.
Os veículos de carga são responsáveis por 21,5% dos gastos energéticos
no transporte da capital gaúcha. Os ônibus consomem 13% da energia do
transporte e os táxis, 5%. O restante do consumo é atribuído a outros meios de
locomoção.
Quando uma pessoa deixa o carro em casa e toma um ônibus, sem saber
ela contribui para que seja liberada 340 vezes menos monóxido de carbono, 33
vezes menos compostos de nitrogênio, 34 vezes menos poeira e seis vezes menos
dióxido de enxofre.
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A ação dos poluentes é, compreensivelmente, mais intensa nas zonas
industrializadas e menor na área rural. Conforme levantamento realizado
pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a Região
Metropolitana de Porto Alegre responde sozinha por 73% das emanações de
gás carbônico (CO) do estado. Ela é responsável, ainda, por 63% dos
hidrocarbonetos (HC), 65% dos óxidos de nitrogênio (NO e NO2), 56% do
dióxido de enxofre (SO2) e 42% da poeira lançados no ar que os gaúchos
respiram.
Figura IV: Utilização dos combustíveis
Existem punições previstas nas três esferas legais (federal, estadual e
municipal) para os poluidores do ar. Elas variam de simples advertência até o
fechamento de estabelecimentos e apreensão de veículos. As leis, de modo geral,
especificam que as emissões não podem ultrapassar 240 microgramas de pó
químico (CO, SO2,, etc.) por metro cúbico de ar.
Escassos, porém, são os instrumentos que o poder público dispõe para
verificar se a lei está sendo cumprida. Os poucos equipamentos existentes medem
apenas alguns tipos de poluentes.
A Fepam, por exemplo, opera desde 1980 uma rede de monitoramento de
qualidade do ar com cinco estações medidoras em Rio Grande, quatro na Grande
Porto Alegre, uma em Caxias do Sul e outra em Montenegro. Elas medem apenas
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dióxido de enxofre (SO2) e outras partículas em suspensão (não detalhadas por
tipo de gás).
Os últimos levantamentos demonstram que as grandes avenidas de Porto
Alegre possuem uma inadequada qualidade do ar, algo já detectado em números
por funcionários da Prefeitura e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(veja a Tabela II).
Fonte: Caderno Vida, Zero Hora, 07/06/92
Tabela II: Poluentes lançados pelos meios de transporte nas principais avenidas
de Porto Alegre (em toneladas / dia)
Gás Carbônico 35,0
Óxidos de Nitrogênio 4,9
Hidrocarbonetos 4,4
Óxido de Enxofre 1,1
Poeira 0,4
Fonte: Caderno Vida, Zero Hora, 07/06/92
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2. AR LIMPO X AR POLUÍDO
Tabela III: Composição do Ar
Composição média da Atmosfera
ppm por volume* % ppm por volume* %
N2 780900 78,09 CO 0,1 10-4
O2 209000 20,01 O3 0,02 10-6
Ar 9300 0,90 Nox 0,002 10-7
H2O 0 à 7000 - Ne 18 0.02
CO2 320 0,30 CH4 1,5 0,001
* litros de mistura presentes em 10 milhões de litros de ar
Tabela IV: Padrões de qualidade do ar (Portaria Normativa no 348 de 14/03/90 -
IBAMA)
Poluente Tempo de
amostragem
Padrão
Pr imár io
Atenção Aler ta Emergência
Partículas
totais em
suspensão
24 horas
MGA (2)
240 (1) 80 375 625 875
Dióxido de
enxofre
24 horas
MAA (3)
365 (1) 80 800 1600 2100
Ozônio 1 hora 160 (1) 400 800 1000
Fumaça 24 horas
MAA (3)
150 (1) 60 250 420 500
Partículas
inaláveis
24 horas
MAA (3)
150 (1) 60 250 420 500
Dióxido de
nitrogênio
1 hora
MAA (3)
320 (1) 90 1130 2260 3000
Monóxido
de carbono
1 hora
8 horas
35 ppm (1)
9 ppm (1)
15 ppm 30 ppm 40 ppm
Fonte: Química Nova 15(2)(1992)
Observações: Todas as unidades em mg/m3
1) Não deve ser excedido mais que uma vez por ano
2) Média geométrica anual
3) Média aritimética anual
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É definido então como um ar poluído aquele que, além de seus
componentes normais, possuir estes outros componentes listados em valores
superiores. A situação de alarme é decretada segundo padrões definidos em cada
país.
Observe nas Tabelas III e IV os valores dos diferentes poluentes que
correspondem aos níveis de atenção, alerta e emergência. Complete suas
observações com as análises das Tabelas V e VI.
No Brasil, o trabalho mais completo é o da CETESB-SP que avalia e
divulga para população a qualidade do ar.
Tabela V: Efeitos e fontes dos principais contaminantes
Contaminantes Efeitos na saúde Pr incipais fontes
Monóxido de
Carbono - CO
impede o transporte de oxigênio
no sangue , causa danos aos
sistemas nervoso central e
cardiovascular
uso de combustíveis
fósseis
Dióxido e Trióxido
de Enxofre - SO2 e
SO3
doenças cardiovasculares e
respiratórias
combustão de carvão e
petróleo com enxofre
Óxidos de
Nitrogênio - NOx
danos ao aparelho respiratório combustões a altas
temperaturas de
combustíveis fósseis
Hidrocarbonetos
não saturados e
aromáticos
alguns tem propriedades
cancerígenas, teratogênicas ou
mutagênicas
uso de petróleo, gás
natural e carvão
Macromoléculas
sólidas e líquidas
aparelho respiratório,
gastrointestinal, sistema
nervoso central e renal, etc
atividades industriais,
transporte e
combustão
Fonte: CETESB
a) Observando a Tabela V, qual a origem principal dos agentes
poluentes?
b) Qual seu efeito principal sobre o organismo humano?
Tabela VI: Qualidade do ar e efeitos na saúde
Nível de
qualidade do ar
Qualificação Descr ição dos efeitos sobre a
saúde*
Precauções
Boa - -
Aceitável - -
Atenção Inadequada leve agravamento de sintomas em
pessoas suscetíveis; sintomas de
irritação na população sadia
pessoas com doenças cardíacas ou
respiratórias devem reduzir as
atividades físicas
Alerta Má decréscimo da resistência física e
significante agravamento dos
sintomas em pessoas com enfermidades
cardio-respiratórias; sintomas
gerais na população sadia
pessoas idosas ou com doenças
cardio-respiratórias devem reduzir
as atividades físicas e permanecer
em casa
Emergência Péssima aparecimento prematuro de certas
doenças, além de significante
agravamento de sintomas; decréscimo
da resistência física em pessoas
saudáveis
pessoas idosas e pessoas com
enfermidades devem permanecer
em casa e evitar esforço físico; a
população em geral deve evitar
atividades exteriores
Crítico Crítica morte prematura de pessoas
doentes e pessoas idossas, pessoas
saudáveis podem acusar sintomas
diversos que afetam sua atividade
normal
todas as pessoas devem
permanecer em casa, mantendo as
portas e janelas fechadas, todas as
pessoas devem minimizar as
atividades físicas e evitar o tráfego
* Quando a poluição atmosférica entra em nível de atenção ou pior, aumentam a possibilidade de agravamento de doenças
alérgicas e resperatórias, ardor nos olhos, dor de cabeça, tonturas, irritação da mucosa nasal e náuseas.
Fonte: CETESB
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3. CONTAMINANTES PRIMÁRIOS
3.1. Introdução
OS VEÍCULOS E A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA.
Estamos acostumados a ver nas estradas e nas cidades caminhões e
ônibus desregulados, que lançam grandes quantidades de fumaça negra,
prejudicando até a visibilidade. Já os automóveis, em geral, quase não emitem
fumaça. Parece lógico que uma cidade em que todo o transporte fosse feito por
automóveis seria muito mais limpa e saudável do que quando há caminhões e
ônibus. Mas isso não é verdade.
Caminhões e ônibus são, em geral, movidos por um motor de explosão
que utiliza o “óleo diesel” como combustível, em lugar de gasolina ou álcool. A
principal diferença é que esse tipo de motor funciona a uma temperatura muito
maior que o motor a gasolina. Em altas temperaturas, gases como o monóxido de
carbono são queimados quase que por completo. As emissões, pelo cano de
escapamento, são constituídas quase que exclusivamente de gás carbônico
(inevitável em qualquer combustão), vapor d’água e partículas de carbono, que
formam a fumaça negra. Esta última só é produzida em motor desregulado,
quando a quantidade de combustível fornecida é muito grande em relação ao
oxigênio disponível. Muitos acreditam que reduzindo a quantidade de ar o motor
trabalha melhor. Na verdade, isso provoca maior consumo de combustível, sem
aumento significativo de potência.
Essa fumaça, formada predominantemente de gás carbônico, água e
partículas de carbono, não é muito tóxica.
O automóvel geralmente só emite fumaça quando o motor está
quebrado, ou muito gasto, passando a queimar o óleo lubrificante. Por outro lado
como funciona a temperaturas muito baixas, produz o monóxido de carbono, um
gás invisível e terrivelmente tóxico. Este sim prejudica muito a saúde dos
habitantes de uma cidade.
Qual o melhor: Álcool ou Gasolina?
A gasolina é uma mistura de vários compostos orgânicos inflamáveis,
porém cada qual com características diferentes quanto à temperatura de
combustão e outras. Quando é queimada no motor, por mais regulado que ele
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esteja, nem todos os componentes são completamente queimados. Assim, em lugar
de produzir apenas gás carbônico e vapor d’água, produz também outros
compostos, como o monóxido de carbono, óxido de nitrogênio e hidrocarbonetos.
O álcool utilizado nos motores de combustão, pelo contrário, tem
compostos quimicamente puros: etanol (álcool de cana) ou metanol (álcool de
madeira). Cada um deles tem suas características próprias quanto à temperatura
e mistura com o oxigênio para produzir a melhor combustão. Como esses motores
trabalham a temperaturas relativamente baixas, há formação de produtos
intermediários, como os aldeídos, que fazem arder os olhos. Mas a formação de
monóxido de carbono é menor em relação ao que se produz na queima da
gasolina.
É possível reduzir a poluição causada pelos motores?
Indústrias e laboratórios mecânicos em todo o mundo - inclusive no
Brasil - vêm investindo grandes somas no aperfeiçoamento de motores nãopoluidores.
Os estudos visam sobretudo os sistemas de “queima” do combustível,
procurando obter a melhor mistura ar-combustível e a temperatura ideal de
combustão, para que seja a mais completa possível. Além disso, procura-se fazer
com que os gases emitidos voltem às áreas de combustão, para queima total de
resíduos e , finalmente, passem por filtros contendo catalisadores, substâncias
que provocam reações químicas que anulam a presença de aldeídos ou monóxido
de carbono.
O programa de controle de emissões de gases inclui o desenvolvimento
de catalisadores, conversor químico instalado no sistema de escapamento,
próximo ao motor e antes do silencioso. Ele é responsável pelas reações químicas
que permitem converter as emissões de monóxido de carbono (CO), óxidos de
nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC) em vapor d’água, nitrogênio e dióxido
de carbono. Dentro do catalisador, com os gases de escape a temperaturas acima
de 300 graus, processam-se as reações químicas que transformam os gases
poluentes em substâncias inofensivas. Seu corpo cerâmico têm minúsculos canais
revestidos por uma camada de óxido de alumínio, com grande área superficial,
onde também se encontram os metais nobres paládio/molibdênio (álcool). Em
contato com esses metais, os poluentes CO, HX e NOx transformam-se em água,
gás carbônico, nitrogênio e nitrogênio puro.
Fonte: Encarte em Isto É, 1995.
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A INDÚSTRIA E A POLUIÇÃO DO AR
As combustões e seus produtos: todos os combustíveis - substâncias
usadas para queimar, gerando calor e outras formas de energia - são compostos
orgânicos. E o elemento principal de sua construção é o carbono. Por sua vez, a
combustão é sempre uma reação química de oxidação, em que o carbono reage
com o oxigênio. A formação de gás carbônico (CO2) é inevitável, e é o principal
produto da combustão.
Freqüentemente, durante essa reação, o oxigênio é insuficiente para a
transformação completa do carbono em gás carbônico. A reação de oxidação é
muito rápida e sem ventilação satisfatória teremos uma combustão incompleta.
Nessa condição, parte do carbono é despreendida em partículas, que são fuligens
e fumaças, e em compostos de carbono menos oxidados, como o monóxido de
carbono (CO), os hidrocarbonetos e outros.
Mas, muitos combustíveis contêm, além do carbono e do oxigênio, outros
elementos químicos na própria constituição. A pólvora comum, por exemplo,
contém nitrogênio, enxofre e impurezas. A madeira usada como lenha pode conter
vários elementos. O próprio ar usado na combustão não é formado só de
oxigênio, mas principalmente de nitrogênio.
Como conseqüência inevitável, os produtos da combustão não são
constituídos somente de gás carbônico, mas também incluem partículas de
carbono, além de monóxido de outros componentes, dependendo tanto do
combustível quanto da disponibilidade de oxigênio na reação de combustão.
Todos esses elementos - uns mais, outros menos tóxicos - podem sair das
chaminés de fábricas pelo processo de combustão.
Outros poluentes: entretanto, não é só a combustão que gera produtos
gasosos e poeiras lançadas na atmosfera. Inúmeras outras reações químicas que
ocorrem durante os processos industriais produzem tóxicos perigosos, como o
benzeno, os cianetos, os fluoretos e outros compostos que vão se misturar à
atmosfera. Processos mecânicos, como a trituração de rochas fosfáticas,
desprendem enormes quantidades de poeira, muitas vezes contendo substâncias
tóxicas, como o flúor.
As soluções para esses problemas, a cargo das indústrias, consistem
principalmente no uso de fontes de calor não poluidoras, como os fornos
elétricos; emprego de combustíveis com baixo teor de enxofre, como o petróleo
nacional ou o gás natural; uso de chaminés altas, o que permite maior e mais
rápida diluição dos poluentes no ar e adoção de sistemas de tratamento de gases
19
e poeira, como os ciclones, os sistemas eletrostáticos, os filtros e os sistemas de
lavagem de poeira.
Fonte: Encarte em Isto É, 1995.
3.2. Os Óxidos do Carbono: Monóxido de Carbono (CO) e Dióxido de
Carbono (CO2)
3.2.1. - Introdução
A gasolina apresenta em sua composição substâncias químicas chamadas
hidrocarbonetos, formados exclusivamente por carbono e hidrogênio. Dentre os
hidrocarbonetos encontramos formando a gasolina primordialmente os alcanos, de
cadeia carbônica aberta e ligações sigma (simples) entre carbonos. A fórmula geral
dos alcanos é CnH2n+2, isto é, o número de hidrogênios é o dobro mais dois do
número de carbonos. Dos alcanos, o principal componente da gasolina é o noctano:
Fórmula Molecular Fórmula Estrutural Plana
C8H18
O motor usa a energia liberada pela combustão da gasolina:
C8H18 + 12,5 O2Þ 8 CO2 + 9 H2O + ENERGIA
Por uma série de razões, entre as quais a falta de oxigênio presente no
momento da combustão, ou seja, a não existência da proporção correta entre os
reagentes conforme expressa na equação acima, na combustão produz-se também
CO, que é um produto da combustão incompleta da gasolina.
Calcula-se que cada automóvel produza, em média, 0,5 a 1 tonelada/ano
de CO. O percentual de monóxido, nos motores em marcha lenta, pode chegar a
10% do total de gases emitidos.
C C C C C C C C
H
H
H
H
H H
H H
H H
H H H
H H H
H
H
20
Atividades:
a) Examine o Gráfico I. Em que fase da operação do motor é máxima
a produção de CO? Por quê?
Fonte: Benn & McAuliffe, Química e Poluição
Gráfico I: Produção de poluentes e ciclos do motor
b) Sendo o CO um gás inodoro, é muito perigoso manter ligados em
marcha lenta carros em garagens fechadas, cruzamentos muito movimentados e
túneis. (Você já observou que na entrada do túnel da Conceição existe um
cartaz dizendo: em caso de parada no interior do túnel, desligue o motor).
Explique o por quê.
c) O CO é um óxido de carbono classificado como óxido indiferente
ou neutro, por não reagir com a maioria dos compostos. Reage no entanto com
o oxigênio. Equacione esta reação.
3.2.2. Efeitos do Monóxido de Carbono
O monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro, formado pela queima
incompleta do combustível. Quando inalado, pode provocar graves danos ao
organismo, devido à sua tendência em combinar-se com a hemoglobina presente
nos glóbulos vermelhos do sangue.
J
21
A hemoglobina é responsável pelo transporte do oxigênio a todas as
células do corpo. Nos pulmões, ela se combina com o oxigênio inalado (como a
hemoglobina possui uma fórmula muito complexa, vamos representá-la pela letras
Hb):
Hb + O2 Þ HbO2
Hemoglobina Oxiemoglobina
e o conduz até as células, onde é liberado:
HbO2 Þ Hb + O2
Nas células, o oxigênio queima os alimentos ingeridos. Essa reação
produz energia, que necessitamos para viver, e dióxido de carbono, que deve ser
eliminado. A hemoglobina entra novamente em ação, combinando-se agora com
uma parte do dióxido de carbono:
Hb + CO2 Þ HbCO2
que é transportado para os pulmões, onde é expelido, e a hemoglobina livre
combina-se novamente com o oxigênio inalado, levando-o às células.
Da mesma forma, o monóxido de carbono também é capaz de se
combinar com a hemoglobina, e mais facilmente:
CO + Hb Þ HbCO
Carboxiemoglobina
22
Figura IV: O oxigênio inalado é transformado em
dióxido de carbono, que é expirado.
Se, juntamente com o oxigênio, for respirado monóxido de carbono, a
hemoglobina irá se combinar com qualquer uma dessas substâncias. Porém, se as
quantidades inspiradas forem iguais, o índice de carboxiemoglobina formada será
aproximadamente 220 vezes maior que o de oxiemoglobina.
Desse modo, quando uma pessoa inspira ar contendo monóxido de
carbono, a quantidade de hemoglobina disponível para o transporte de oxigênio
diminui. Conseqüentemente, menos oxigênio chega às células, provocando vários
problemas graves e podendo, inclusive, levar à morte.
Texto extraído de: Álcool e gasolina: combustíveis do Brasil,
Eduardo Roberto da Silva e Ruth Rumiko Hashimoto da Silva; Ed. Scipione; 1989.
Atividades:
a) Examine as Tabelas VII a IX:
J
23
Tabela VII: Desativação de hemoglobina pelo CO
Concentração de CO (ppm*) Hemogobina desativada (%)
0 0
50 7
100 14
200 27
300 37
400 45
500 51
600 56
700 61
800 65
900 68
1000 70
Fonte: Unidades Modulares de Química - CESISP
* ppm é uma unidade de concentração: indica quantas partes de uma substância existem em um
milhão de partes de outra. Os valores numéricos da tabela indicam quantos gramas de CO há em um
milhão de gramas de ar.
Tabela VIII: Problemas da desativação da hemoglobina
Hemoglobina desativada (%) Sintomas
0 a 1,9 nenhum
2 a 7,9 diminuição da capacidde visual
8 a 13,9 dores de cabeça
14 a 26,9 tontura, fraqueza muscular
27 a 32,9 vômitos
33 a 64,9 inconsciência
acima de 65 morte
24
Fonte: Unidades Modulares de Química - CESISP
Tabela IX: Efeitos do CO na saúde.
Quantidade de CO
(ppm) necessár ia
para desativar a
hemoglobina *
Percentagem de
hemoglobina
desativada
Efeitos na saúde
55 - 80 3 diminuição da atividade cardíaca,
alteração no fluxo sanguíneo
110 - 170 6 problemas de visão; diminuição da
capacidade de trabalho
280 - 575 10 - 20 pequenas dores de cabeça;
problemas psicomotores
575 - 860 20 - 30 dores de cabeça intensas; nauseas
860 - 1155 30 - 40 nauseas; vômitos; diminuição da
visão; dor de cabeça intensa
1430 - 1710 50 - 60 convulsão; coma
1710 - 2000 60 - 70 coma; diminuição das atividades
cardíacas e respiratórias; às vezes
fatal
2000 - 2280 70 - 80 morte
Fonte: Silva, E.R. & Silva, R.M. em Álcool e gasolina: combustíveis do Brasil.
*Tempo de exposição 1 hora
b) Examine e compare as Tabelas VII e IX. Comente semelhanças e
diferenças.
c) Com os dados da Tabela VII construa um gráfico colocando no eixo y
as porcentagens de hemoglobina desativada e no eixo x as concentrações de CO.
Explique por que as grandezas estão dispostos desta forma nos eixos.
25
y
x
d) Analise o gráfico quanto aos seguintes aspectos:
1- relação entre a concentração de CO e a percentagem (%) de
hemoglobina desativada;
2- interpolações e extrapolações a partir da curva obtida;
3- qual a percentagem de hemoglobina desativada quando no ar há 70
ppm? E quando houver 200 ppm? Que sintomas devem apresentar
estas pessoas que inspiram ar com estas concentrações?;
4- muitas pessoas já morreram envenenadas por CO em recintos
fechados. Qual a concentração mínima que deve ter atingido o CO
nestes recintos?;
5- prolongue a curva e explique por que nunca será encontrada uma
desativação de 100% de hemoglobina.
e) Observando o Gráfico II responda:
26
Fonte: Unidades Modulares de Química - CESISP.
Gráfico II: Concentração de CO durante o dia
1. Em que faixas horárias a concentração de CO foi máxima naquele
local onde foi medida a concentração durante o dia? Por que?
2. Que efeitos poderiam ter sido causados na saúde das pessoas que
transitaram por estes locais nos períodos de maior concentração?
3. Que conclusões você pode tirar a respeito do tempo de permanência
do CO na atmosfera?
4. Que medidas poderiam ser tomadas para evitar que nos grandes
centros urbanos o CO atinja concentrações prejudiciais à saúde?
3.2.3. Efeito Estufa
Quem usou pela primeira vez o termo Efeito Estufa foi o químico sueco
Svante Arrhenius, em 1886. Ele é o autor da teoria de que o uso de combustíveis
fósseis (petróleo, carvão) aumentaria o nível de dióxido de carbono na atmosfera e
conduziria ao aquecimento do planeta. Pelo menos para o Programa das Nações
27
Unidas para o Meio Ambiente, o cientista era um visionário, pois sua previsões
estariam se confirmando agora.
O mais sonoro sinal de alerta sobre o aquecimento do planeta foi soado
em junho de 1988 por James Hansen, um cientista da NASA (Administração
Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos). Em depoimento no
Congresso Americano, ele criou um clima de quase histeria ao anunciar que a
temperatura da Terra estava subindo assustadoramente graças ao aumento da
concentração de gás carbônico. Os principais culpados: a queima de
combustíveis fósseis (carvão e petróleo, em particular) e os desmatamentos, com
suas grandes queimadas.
Divergências - Na época, a teoria de Hansen praticamente não teve
contestações. Afinal, os Estados Unidos enfrentavam um dos verões mais quentes
do século e a Europa passara por um inverno relativamente ameno. Apenas seis
meses mais tarde, porém, o Alasca sofreu a pior onda de frio da história,
enquanto no norte do território americano as temperaturas caíam até 53°C
negativos. A falta de continuidade na previsão acendeu ainda mais a polêmica
sobre o Efeito Estufa.
Fonte: Zero Hora, 6 de junho de 1991
Ler e analisar os seguintes textos:
EFEITO ESTUFA CONTINUA DESAFIANDO A COMUNIDADE
CIENTÍFICA MUNDIAL.
Os gases que provocam o fenômeno estão diminuindo na atmosfera
Um novo mistério envolvendo o efeito estufa está chamando a atenção da
comunidade científica mundial. Dados recentes obtidos por entidades americanas
de pesquisas espaciais mostram que os níveis dos gases que provocam esse
fenômeno estão diminuindo na atmosfera. A razão é uma incógnita e tem
preocupado os centros de estudos atmosféricos de todos os continentes. A
expectativa era que esses elementos químicos continuassem a crescer num ritmo
acelerado, dentro das previsões de estudos realizados.
Mesmo o gás carbônico, responsável por 60% do efeito estufa - que
provoca o aquecimento global - passou a ter sua curva de ascendência diminuída.
Os outros gases como o metano, o CFC e o monóxido de carbono também estão
em escala regressiva. Todos esses gases são injetados artificialmente e em
grandes quantidades na baixa atmosfera ( a 16 quilômetros de altura do nível do
28
mar). “Essa é a mais nova incógnita da ciência”, comenta o coordenador de
programas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Volker
Kirchhoff. Essa desaceleração passou a ser percebida nos estudos atmosféricos dos
anos de 93 e 94, feitos pela Agência Espacial Norte Americana (Nasa),
Universidades de Oregon e Califórnia, além da Administração Nacional dos
Oceanos e Atmosferas (NOAA). Segundo o cientista do Inpe, Volker Kirchhoff, até
o momento as pesquisas apontam que este ano o comportamento anômalo deverá
permanecer. Mas os estudiosos se dividem acreditando que isto é passageiro ou
chegou a um ponto de equilíbrio. O nível de concentração destes elementos
químicos na atmosfera está sendo totalizado. O instituto brasileiro aguarda os
cálculos definitivos.
Até agora existem apenas especulações sobre o assunto. Entre elas
estaria a quebra do poderio industrial da União Soviética ou uma antiga recessão
mundial. Também não se descartam fatos como uma nova atividade biológica ou
química nos oceanos resultante de uma mutação e alterações nos padrões de
fotossíntese das florestas e algas marinhas. O efeito estufa começou com a
intensificação das atividades industriais e urbanas.
Zero Hora - 08/10/95
PLANETA ESQUENTA.
Esta é a única certeza dos pesquisadores que tentam entender porque o tempo
parece ter enlouquecido
Verões tórridos com temperaturas próximas a 50 °C nos Estados Unidos,
fortes chuvas e enchentes na Europa Ocidental, invernos quentes e ensolarados
no Sudeste do Brasil. O rosário de alterações no clima e na temperatura causa
nos desavisados a sensação de que o clima no planeta enlouqueceu. Pior: produz
o medo de que a Terra seja conduzida a uma sucessão de tragédias. Os
pesquisadores são menos alarmistas, mas, diante da carência de dados para
analisar esssa variedade tão complexa de fenômenos, se dividem e permanecem
mergulhados em uma atmosfera de incertezas. “Infelizmente, ainda não é possível
afirmar se o aquecimento do planeta é anormal ou se o clima na atmosfera
terrestre irá mudar de forma preocupante nas próximas décadas”, admite o chefe
do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe ), Carlos Nobre.
As informações confiáveis sobre alterações de clima só começaram a ser
registradas nos últimos 125 anos. “O prazo é pequeno”, afirma Nobre. “O
planeta pode estar respeitando um ciclo de 300 ou 500 anos, impossível de ser
29
mapeado com exatidão.” Nesse período pode-se constatar, no entanto, que a
temperatura média da Terra aumentou 0,5°, passando de 15,5° para 16°. Parece
pouco. Mas para os especialistas é alarmante. A explicação mais aceita é a de
que esse acréscimo se deve ao efeito estufa, o aquecimento gradual da atmosfera
terrestre provocado pelos gases liberados com a queima de combustíveis fósseis,
como gasolina e óleo diesel, e queimadas em florestas tropicais. No século XVIII,
a concentração de dióxido de carbono existente na atmosfera era de 270 (ppm).
Hoje ela passa dos 360 ppm e a marca aumenta 1,6 ppm a cada ano. “Os
cálculos davam conta de que a temperatura do planeta iria aumentar em um grau
nos últimos 125 anos, mas o acréscimo correspondeu à metade do previsto”, diz
Nobre. “De qualquer forma, estima-se que, se nada for feito para controlar a
emissão dos gases, a concentração baterá nas 540 ppm em meados do próximo
século. Acredita-se que uma concentração desse porte poderá aumentar em dois
graus a temperatura da Terra.” Tal ocorrência poderá provocar um degelo
descontrolado nas calotas polares e conseqüentemente interferir de forma
decisiva nas marés, inundando enormes áreas em todo o planeta.
Nobre é cuidadoso ao relacionar a mudança de temperatura ao efeito
estufa. E faz um alerta: “é fundamental controlar essas emissões. O CO2 e os
outros gases que formam o fenômeno ficam na atmosfera por no mínimo, 100
anos. Se for provado, no futuro, que eles são os verdadeiros vilões, a situação
será preocupante. Não se limpa a atmosfera terrestre da noite para o dia”.
Duas tendências científicas, atesta Leite, brigam para tentar explicar
esses fenômenos recentes. Uma delas defende a tese de que as alterações têm
origem no Oceano Pacífico e estariam sob a influência do fenômeno El Niño (O
menino). Trata-se do aquecimento irregular das águas do Pacífico, ao Norte do
Peru, verificado a cada três ou cinco anos.
Outra corrente acredita que a origem dos distúrbios está no Oceano
Atlântico, ou seja, sob a influência do La Niña (A menina). O fenômeno ocorre
quando fortes ventos do Leste para o Oeste elevam o nível das águas no Oceano
Pacífico, próximo à Austrália, em cerca de 50 centímetros. A água aquecida
evapora e provoca chuvas na região.
A polêmica aquece quando somada ao buraco na camada de ozônio. No
início do mês, foi anunciada uma medição do furo no invólucro que protege o
planeta dos potentes raios solares ultravioleta B (UVB), causadores do câncer de
pele. O rombo teria as dimensões da Europa.
Se esse acidente cósmico tem influência decisiva no fato de que as
temperaturas neste ano parecem ter enlouquecido, ninguém, nem mesmo os mais
conceituados cientistas, pode afirmar. Pesquisas americanas feitas na Antártida,
30
entretanto, prevêem que a área de degelo neste ano poderá ser recorde.
Consequentemente, é de esperar um verão bastante chuvoso no Hemisfério Sul e
gigantescas nevadas no Norte. Mas muitos cientistas, apesar de preocupados com
o buraco, acreditam que uma coisa não tem rigorosamente muito a ver com a
outra. A discussão promete se alongar. Não há consenso de que desastres
ecológicos como as queimadas interferem no efeito estufa. Tampouco todos
concordam que o Clorofluorcarbono (CFC), liberado pelas geladeiras e sprays, é
danoso à camada de ozônio. A única coisa certa é que a Terra está realmente
mais quente e que isso, de uma forma ou de outra, interfere na definição das
estações climáticas e na vida de cada um dos habitantes deste planeta. O resto é
mera especulação.
Isto É, 27/09/95.
O que é o efeito estufa?
Quando a radiação solar que chega à Terra, sob a forma de luz visível,
atinge o solo, esta é convertida em outras formas de energia, inclusive a radiação
infravermelha que está associada ao calor. Se a Terra absorvesse toda a energia
solar que recebe, sua temperatura alcançaria níveis insuportáveis. Todavia, existe
um ciclo envolvendo todo esse processo e que permite um equilíbrio entre a
energia recebida, absorvida e refletida de volta para o espaço.
Quando a radiação solar incide sobre o nosso planeta, encontra em
primeiro lugar a atmosfera. Esta é constituída principalmente de N2 (78%) e O2
(21%), além de outros gases (por exemplo, CO2, H2O, O3, CH4, etc.) em
percentagens mínimas (1%) que permitem a passagem de 70% da radiação solar
incidente, refletindo de volta os outros 30%. Da radiação que atravessa a
atmosfera parte será absorvida, aquecendo o solo, os oceanos e a própria
atmosfera, provocando a evaporação (com formação de nuvens e chuvas, ventos e
correntes oceânicas).
Neste processo deve ser estabelecido um equilíbrio e parte desse calor,
sob forma de radiação infravermelha, deve ser reemitido para o espaço. Para sair
da ação da Terra, essa radiação deve atravessar a atmosfera. Entretanto, esta que
era praticamente transparente à luz solar, retém a maior parte da radiação
infravermelha, pois moléculas de CO2, H2O, O3, CH4 entre outros, têm uma
estrutura que permite a elas vibrarem nas freqüências correspondentes à radiação
infravermelha. Isso provoca uma maior absorção de calor pela atmosfera e
conseqüentemente maior reflexão de calor para o solo. Apesar destas moléculas
existirem em número relativamente pequeno (< 1%), elas estão na concentração
adequada para manterem o equilíbrio da temperatura terrestre. Na ausência destas,
31
a radiação infravermelha emitida pelo solo retornaria para o espaço, provocando
muito frio à noite.
Figura V: O efeito estufa ocorre quando certos gases - principalmente CO2
(dióxido de carbono ou gás carbônico) e vapor d’água provocam o
aquecimento da superfície do planeta. Estes gases permitem que a luz do
sol atinja a superfície (são transparentes), mas interceptam e enviam de
volta parte da radiação infravermelha (calor) que a Terra irradia para o
espaço. A presença de CO2 e vapor d’água aumenta a temperatura da Terra
em cerca de 35 graus centígrados acima da temperatura que ela teria se eles
não existissem.
O mesmo ocorre, também, nos automóveis fechados, sob a ação da luz
solar: a radiação solar penetra no veículo, através dos vidros, provoca o
aquecimento interno e ao tentar devolver parte desta energia, sob forma de
radiação infravermelha, esta é retida pois só uma pequena parte consegue
atravessar o vidro, que é isolante térmico. Deste modo a temperatura interna tornase
bem maior do que a externa. Este efeito corresponde ao que ocorre numa estufa
e por isso é denominado de Efeito Estufa .
Um dos fatores que podem alterar o equilíbrio térmico do ambiente é a
concentração dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Desde meados do século
passado, devido ao desenvolvimento tecnológico e à destruição das florestas,
verificou-se um aumento da quantidade de dióxido de carbono, metano, óxido
32
nitroso, clorofluorcarbonetos (CFC), ozônio e outros gases de origem natural e
antropogênica. Só a emissão de CO2 causada pela queima de combustíveis fósseis
foi avaliada em 5 bilhões de toneladas anuais, em todo o mundo, e mais 0,4 a 2,5
bilhões provocados pelo desmatamento. Em 1880 a concentração de CO2 na
atmosfera era da ordem de 280 ppm, hoje os valores são cerca de 350 ppm e uma
projeção para o ano 2050 prevê 500 a 700 ppm, caso nenhuma medida seja
adotada.
O aumento da pressão parcial(1) de CO2 é preocupante, pois este gás é
fundamental para processos como a fotossíntese, regulagem da alcalinidade da
água do mar, composição dos exoesqueletos de animais marinhos, etc. Um
aumento na concentração do CO2 pode favorecer algumas culturas de alimentos e
fibras, mas pode prejudicar o rendimento de outras. Mesmo nos casos em que
poderá haver aumento na produção, existirá simultaneamente um maior consumo
de nutrientes, cuja reposição se constituirá em sério problema para alguns países,
pois forçaria o uso de adubos artificiais.
Os demais gases, ainda presentes em concentrações bem menores,
também são importantes devido às propriedades que apresentam: enquanto o CO2,
tem uma vida aproximada, na atmosfera, de 500 anos, a do CH4 é 7-10 anos porém
a sua capacidade de acumular calor é 20 vezes maior do que aquele gás; a
molécula de um CFC dura cerca de 75-100 anos e retém 20.000 vezes mais calor
do que o dióxido de carbono.
(1) para gases equivale à concentração
33
Figura VI: Contribuição de cada composto para o
efeito estufa
O aumento de temperatura causada pelo efeito estufa não seria uniforme,
mas seus efeitos afetariam todas as áreas do globo terrestre. Calcula-se que um
aumento de um a dois graus Celsius seriam suficientes para provocar enormes
danos. As conseqüências mais sérias que podem ser previstas são:
i) degelo das calotas polares, provocando um aumento no nível do mar,
com inundação de muitas áreas costeiras e cidades;
ii) modificações graves na geografia econômica, pois terras atualmente
férteis poderiam se transformar em desertos.
Esta situação impos maiores estudos sobre o fenômeno efeito estufa em si
mesmo, bem como a necessidade de medidas que restrinjam a emissão
descontrolada de gases nocivos para a atmosfera.
34
Fonte: Folha de São Paulo, 21/06/1991
Figura VII: Possibilidades decorrentes do efeito estufa
CONSEQÜÊNCIAS DO EFEITO ESTUFA
Doenças - Os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos também
seriam mais vulneráveis às conseqüências para a saúde trazidas pelas mudanças
climáticas. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente,
transtornos no abastecimento de comida e água potável atingiriam milhões de
pessoas e afetariam a ocorrência de algumas enfermidades "de forma perigosa e
imprevisível". Como não se sabe até que ponto pode haver a elevação da
temperatura, a própria ONU reconhece ser praticamente impossível ajustar com
precisão novas estratégias sanitárias e de nutrição.
Um clima em mudanças alteraria principalmente os ecossistemas
causadores de doenças, como vírus, bactérias, parasitas e insetos. Com o
aumento da temperatura, algumas doenças tropicais poderiam se espalhar para
35
regiões onde elas eram conhecidas apenas na literatura médica. No caso
específico da malária, por exemplo, o ritmo de desenvolvimento do mosquito
transmissor cresce em temperaturas mais altas.
Figura VIII: Possíveis alterações climáticas causadas pelo efeito estufa
As alterações climáticas, contudo, também poderiam ter alguns efeitos
benéficos no caso de doenças com tendência à transmissão no inverno. A
hepatite-B, meningite, poliomielite e disenteria costumam se propagar com mais
facilidade em climas cálidos e úmidos.
Inundações - O aumento das chuvas afetaria zonas já regadas: assim, as
áreas temperadas da Europa e até os grandes rios chineses sofreriam inundações
colossais, enquanto as regiões atualmente desérticas se estenderiam mais ainda.
Quanto à elevação do nível dos mares, devido essencialmente à fusão do gelo dos
pólos, podemos adivinhar seus efeitos: da costa leste do Estados Unidos (Flórida,
Luisiânia) até Bangladesh, passando pelos grandes deltas do Mar do Norte
(Países Baixos) ou do Mediterrâneo, boa parte do litoral ficaria inundado. Os
Países Baixos já colocaram em estudo projetos para proteger seu litoral e
sobretudo o porto de Roterdã.
36
Fome - Uma das conseqüências menos previsíveis do aquecimento do
planeta seria a dramática mudança no perfil da agricultura. O Programa das
Nações Unidas para O meio Ambiente alerta que a subida da temperatura "altera
as precipitações e algumas partes do mundo ficarão quentes ou secas demais".
Em regiões mais frias, contudo, poderia haver um aumento da produtividade e a
abertura de novas áreas de plantio
Fonte: Zero Hora, 05 de junho 1991
3.2.4. Camada de Ozônio
Quando se fala em camada de ozônio, a idéia que se tem é a de que
existe na atmosfera uma espessa manta formada por este gás. Impressão falsa. A
atmosfera terrestre é composta basicamente de nitrogênio (78%) e oxigênio (21%).
O 1% restante é uma mistura de grande número de outros gases, em concentrações
muito baixas, mas razoavelmente constantes - como é o caso dos gases nobres.
Encontram-se ainda constituintes gasosos em densidades relativamente baixas e
bastante variáveis como o vapor de água, o dióxido de carbono e o ozônio.
A camada de ozônio - que funciona como filtro dos raios ultravioletas -
formou-se há milhões de anos. As moléculas de oxigênio (O2), ao absorverem as
radiações ultravioleta, se dissolvem, liberando os dois átomos de oxigênio. Esses
átomos livres colidem com as moléculas de O2 formando ozônio (O3).
Muito instável, o ozônio pode ser facilmente dissociado por raios
ultravioletas em moléculas de O2 e átomos livres de oxigênio. É esse precário
equilíbrio entre a formação e a dissociação de ozônio que está sendo rompido de
forma acelerada por produtos lançados pelo homem na atmosfera.
37
A partir dos 20 quilômetros de altura, já na estratosfera, começa uma concentração alta
de ozônio, de 8 ppm, o que, nas circunstâncias, é um nível elevado. Essa "camada de ozônio"
permanece até pouco além dos 30 quilômetros. Acima dessa altitude, a concentração desse gás,
formado por três átomos de oxigênio (O3), começa de novo a baixar.
Figura X: Camadas atmosféricas e a camada de ozônio
Pesquisas recentes mostram que o aumento na atmosfera de produtos
químicos principalmente dos processos à base de cloro, flúor e carbono (os
chamados CFCs) influi decisivamente na formação e ampliação dos buracos de
ozônio. Os CFCs constituem uma família de produtos químicos sintéticos,
inventados nos anos 30.
Os CFCs - basicamente empregados em refrigeração, equipamentos de ar
condicionado, aerossóis, inseticidas, tintas e na fabricação de material isolante
térmico - são altamente estáveis ao nível do solo. Aos poucos, por sua difusão
natural, sobem e atingem a atmosfera superior, ainda na condição de estáveis. Na
atmosfera, quando ultrapassam a camada de ozônio, sofrem a ação dos raios
ultravioletas e se decompõe liberando átomos de cloro. Esses átomos livres se
combinam com as moléculas de ozônio produzindo oxigênio (O2) e óxido de cloro
(ClO2).
O óxido de cloro, por sua vez, reage com os átomos livres de oxigênio,
formando moléculas de O2 e deixando o cloro livre. Este reinicia o processo,
38
desfazendo continuamente o ozônio. Calcula-se que cada átomo de cloro pode
destruir cerca de 100 mil moléculas de ozônio antes de descer às camadas mais
baixas da atmosfera.
Na troposfera, a região mais baixa da atmosfera terrestre e onde vivemos,
a situação em relação ao ozônio é o inverso da estratosfera, onde este é bem vindo.
O O3 é um poderoso oxidante e como tal ataca as plantas, os pulmões, borrachas,
obras de arte, etc., além de reagir com outros poluentes do ar formando
substâncias irritantes para os olhos e pulmões.
A única rota conhecida de formação de O3 na troposfera é através da
fotólise do NO2. Por sua vez, o ozônio oxida o NO para formar NO2, não
resultando em aumento na concentração de O3:
NO2(g) + hv Þ NO(g) + O(g)
O(g) + O2(g) + M Þ O3(g) + M
NO(g) + O3(g) Þ NO2(g) + O2(g)
onde hv representa a energia dos raios ultravioletas e M uma molécula de oxigênio
ou nitrogênio que permanece inalterada na reação.
Entretanto, a fotólise e oxidação de compostos orgânicos produzem
radicais livres que oxidam o NO sem destruir o ozônio, contribuindo assim para o
aumento na concentração de O3 na troposfera, o que é indesejável.
3.2.4.1. Problemas decorrentes da diminuição da camada de ozônio
A camada de ozônio que fica a aproximadamente 16 km de altura, tem a
função de absorver parte da radiação ultravioleta (ver explicação abaixo) originada
no sol e responsável, entre outros, pelo câncer de pele.
Pelo uso de clorofluorcarbonos, já mencionado, houve, segundo a ONU,
um declínio de 2,5% na camada de ozônio entre as latitudes 65°N e 65°S, isto é, a
maior parte do mundo habitado.
Prevê-se que na próxima década poderá haver uma diminuição de mais
3% nestes níveis.
No hemisfério sul, a partir da Antártida, o buraco de ozônio se intensifica
a cada primavera, iniciando em final de agosto, atingindo seu pico na metade de
outubro e se desfazendo em meados de dezembro.
39
O efeito mais sério se verifica nas cidades localizadas na ponta sul do
continente, principalmente Punta Arenas (Chile) e Ushuaia (Argentina), mas se
estendendo até o paralelo 30S, onde se localizam Santiago do Chile e Porto
Alegre, onde a previsão é de, em 5 anos, haver diminuição de até 30% na camada
de ozônio.
Fonte: Folha de São Paulo, 10/05/1192
Figura XI: A ação dos CFC’s e a destruição da camada de ozônio
40
Por estas razões, os habitantes das regiões localizadas no sul do paralelo
30 deverão ter cada vez mais cuidados na sua exposição ao sol.
O aumento de raios ultravioletas na superfície da terra ataca plantas,
prejudicando seu crescimento e, principalmente, afetando os olhos e a pele das
pessoas expostas ao sol (onde causa diversos tipos de câncer de pele).
Fonte: Zero Hora, 24/05/1992
Figura XII: O aumento do buraco na camada de ozônio
3.2.4.2. Três tipos de raios UV
Os raios ultravioletas (UV) fazem parte do espectro eletromagnético das
radiações , que inclui, entre outros, os raios cósmicos, o X, a luz visível, os
infravermelhos, as ondas curtas de rádio, as médias e longas.
41
O espectro produzido pelo sol, e que afeta a Terra, corresponde a luz UV,
a branca visível e a infravermelha. De acordo com o comprimento de onda, os
raios UV se dividem em UVA (320 a 400 nm)(2), UVB (290 a 320 nm) e UVC
(100 a 290 nm).
A camada de ozônio, que circunda a Terra numa altura que varia entre os
20 e 40 quilômetros, filtra os raios UV impedindo a chegada dos UVC ao planeta
e atenuando as emissões dos UV dos outros dois comprimentos de onda e
deixando-os com uma intensidade compatível com a vida. Os raios UVC,
fortemente bactericidas e agressivos aos seres vivos, tornariam inviável a vida
neste planeta; o excesso dos outros dois tipos de UV traz problemas à sanidade
dos homens, animais e plantas.
Fonte: Zero Hora 27 de setembro 1992
Figura XIII: Os raios UV e a pele
Os raios solares, de manhã cedo e à tarde, penetram obliquamente na
atmosfera terrestre, o que significa que atravessam uma camada mais espessa de
ozônio. Ao meio-dia ultrapassam na parte menos espessa e são, em conseqüência
(2) nm representa uma unidade de medida chamada nanômetro, que correponde a
10
-9
metros.
42
menos filtrados. Por tal razão médicos e cientistas não recomendam os banhos
solares nos horários em que os raios se aproximam do ângulo reto em relação à
atmosfera (entre 10 e 15 horas).
REGRAS DE PROTEÇÃO
¨ Não tome sol em demasia. Tente evitar o sol quando seus raios estão mais
fortes, entre 10 e 15 horas;
¨ Os que não puderem evitar a exposição ao sol devem utilizar roupas para
cobrir a maior superfície de pele possível. Um filtro com fator de proteção
solar (FPS)(2) pelo menos 15 deve ser aplicado nas áreas expostas;.
¨ Não utilize lâmpadas ultravioletas ou bronzeamento por aparelhos;.
¨ Examine periodicamente sua pele. Qualquer lesão estranha como uma ferida
que não cicatriza, uma verrucosidade que ulcera, um "sinal" que aumenta e
escurece, o crescimento de uma mancha preta de contorno irregular, devem
ser analisados por um médico.
Fonte: Zero Hora, 27 de setembro de 1992.
3.3 - NOx: Óxidos de Nitrogênio
3.3.1 Principais Óxidos de Nitrogênio
A) Óxido nítrico ou monóxido de nitrogênio (NO):
É um gás incolor e inodoro que reage facilmente com o oxigênio
formando o dióxido de nitrogênio.
Ele se forma de N2 e O2 como conseqüência de descargas na atmosfera
inferior e radiação ultravioleta na atmosfera superior. É também produzido quando
ocorrem faíscas de alta temperatura, inclusive aquelas que ocorrem nos motores de
automóveis. Pode ser obtida a partir da redução do ácido nítrico.
(3) O FPS - bloqueador solar é um filtro para os doi tipos de UV, tanto UVA como
UVB, que teoricamente bloqueia todo o espectro UV, não permitindo nem a
queimadura nem o bronzeado. Geralmente possuem substâncias químicas que
absorvem quase todo o espectro do UV e também substâncias opacas que
bloqueiam os raios por ação físicas, sendo mais compactos, opacos e gordurosos.
43
B) Dióxido de Nitrogênio (NO2):
É um gás castanho, de odor forte e asfixiante, formado pela oxidação do
NO. Pode ser obtido também pela reduação do ácido nítrico concentrado por
alguns metais ou pela decomposição térmica de nitratos.
C) Óxido Nitroso (N2O):
Comparado com os outros óxidos de nitrogênio, o óxido nitroso é
surpreendentemente estável e não reativo, pelo menos a temperatura ambiente. É
conhecido como gás hilariante, pois a inalação do mesmo produz euforia.
3.3.2. Reações dos contaminantes NOx
O monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) são
também contaminantes primários do ar.
A formação de gases se dá também em altas temperaturas quando do uso
de combustíveis fósseis a partir do nitrogênio do ar:
N2 + O2 Þ 2 NO
2 NO + O2 Þ 2 NO2
luz solar
Cerca de 40% do NOx produzidos derivam do uso de gasolina e óleo
diesel como combustíveis; 48% provém de usinas termoelétricas (gás natural ou
carvão). Nos carros à gasolina a quantidade de gases de nitrogênio aumenta com a
rotação do carro. Já um motor diesel produz menos NOx que um motor à gasolina.
Cerca de 10.000 carros/hora produzem 3 toneladas de NOx.
Atividades:
a) Observe o gráfico do ítem 3.2.1: em que modo de operação do motor
ocorre maior produção de NOx? Por que?
b) Na atmosfera, por reações com os radicais hidroxila, o dióxido de
nitrogênio é convertido em ácido nítrico. Equacione a reação.
J
44
c) Outros sustentam que o dióxido de nitrogênio reage com a água
produzindo os ácidos nítrico e nitroso. Equacione a reação. Verifique que se trata
de uma reação redox e determine o NOX dos elementos antes e depois da
ocorrência da reação.
3.3.3 Os efeitos para saúde são assim caracterizados (para o NO2):
Tabela X: Efeitos sobre a saúde (em ppm)
0 - 12 ppm: limite de percepção do odor
10 - 40 ppm: efeitos respiratórios crônicos
25 - 75 ppm: efeitos respiratórios mais severos, mas a recuperação é
completa terminada a exposição
Fonte: in Heichlen, Juliam: Atmospheric Chemistry. Academic Press, New York, 1976.
Em 1972 foi estabelecido, nos Estados Unidos, o limite de 5 ppm para
exposição de 8 horas/dia durante 40 h/semana.
O padrão americano para o NO2 é de 0,25 ppm para exposição de 1 hora
e de 0,05 ppm como taxa anual média.
Tabela XI: Efeitos sobre a saúde (em mg/L)
mg/L Efeitos
3 concentração mínima detectada pelo olfato
13 irritação de nariz, garganta e olhos
25 congestão e enfermidades pulmonares
1000 pode ser fatal, inclusive exposição breve
Fonte: in Albert, Lillia A., in Toxicologia Ambiental, 1985.
No estado alemão de Hessen são acionados alarmes para concentrações
verificadas a partir de 0,3 mg de NO2/m3 de ar. Para o Brasil reveja os dados da
Tabela IV e compare com os de outros países.
45
Atividades:
a) Leia a notícia a seguir, publicada na Zero Hora, e comente:
1) os valores apresentados
2) os efeitos causados
POLUIÇÃO DE ATENAS
JÁ ESTÁ MANDANDO GENTE PARA HOSPITAL
Centenas de pessoas foram hospitalizadas desde o início desta semana
devido a problemas respiratórios e cardíacos causados pela crescente poluição
que assola Atenas, a capital da Grécia. Por isso, foi proibido ontem, durante
cinco horas, o trânsito de qualquer tipo de veículo motorizado pelo centro da
cidade.
A medida foi adotada na noite de terça-feira, quando o índice de
poluição, causada especialmente por dióxido de nitrogênio, ultrapassou o
máximo permitido em vários bairros de Atenas. Na manhã de ontem, esse índice
era de 611 miligramas por metro cúbico de ar, quando o índice de "alerta" é de
200 mg, e o de "emergência", 500 mg (compare com a Tabela IV). O ozônio e o
monóxido de carbono também estão ultrapassando os níveis de alerta.
O aumento brutal da poluição desde o início da semana, devido ao calor
e à falta de ventos, contribui para o internamento de várias pessoas com
problemas respiratórios e cardíacos desde segunda-feira. A névoa tóxica que
assola a cidade, e que foi batizada, na capital de quatro milhões de habitantes, de
Nefos, é formada em 74% de gases dos canos de descarga dos automóveis. Um
milhão de veículos circulam diariamente por Atenas. Desses, quase 800 mil são
particulares, e 13 mil táxis (APP).
Fonte: Zero Hora de 04 de outubro de 1990.
b) Equacione a reação de transformação do NO2 em ácido nítrico e a
equação de ionização.
c) Supondo uma concentração de 0,03 mg de NO2/m3 de ar e supondo
uma transformação completa do NO2 em HNO3, calcule:
1) a molaridade do HNO3
2) Sabendo que o HNO3 é um ácido forte (grau de ionização 92%), qual a
molaridade de íons H+ no ambiente?
J
46
3.4 SOx:Óxidos de Enxofre
A) Dióxido de Enxofre (SO2)
Quando o enxofre é queimado no ar, há produção de dióxido de enxofre.
Este é um gás incolor que se condensa a 10ºC (a 1 atm). Ele é tóxico, mas seu odor
extremamente irritante torna virtualmente impossível inalar uma dose fatal. Já foi
utilizado em refrigeradores comerciais e domésticos, mas agora é praticamente
produzido para oxidação posterior na fabricação de ácido sulfúrico.
O SO2 é o anidrido do ácido sulfuroso e as soluções aquosas do SO2 são
referidas como tal.
B) Trióxido de Enxofre (SO3)
A oxidação do SO2 a SO3 pelo oxigênio é espontânea, mas muito lenta.
Essa reação constitui a etapa-chave da fabricação do ácido sulfúrico pelo processo
de contato. Adicionando água ao SO3 obtém-se o ácido. Na prática esta reação é
lenta, o H2SO4 tende a formar uma névoa cujas moléculas custam a se unirem. O
problema industrialmente é resolvido pela adição de SO3 em H2SO4.
O SO3 é o anidrido do ácido sulfúrico. O ácido sulfúrico comercial
contém aproximadamente 95% em massa e constitui uma solução 18 M.
UM PERIGOSO COQUETEL DE SUBSTÂNCIAS DESTRUIDORAS
A fumaça negra das fábricas e dos carros cobrem o ar de Porto Alegre,
sem qualquer controle. Há muito tempo sumiram os mecanismos de fiscalização.
Qualquer pessoa teria calafrios se refletisse demoradamente sobre o ar
que respira. Substâncias de nomes complicados, decorados com dificuldade e
tédio durante as aulas na adolescência, compõem a pestilenta mistura que forma
a atmosfera nas grandes cidades. O veneno mais conhecido é o dióxido de
carbono (CO2) liberado pelo escapamento dos carros. Além dele, os automóveis
lançam óxidos de nitrogênio (NO e NO2), enquanto o óleo diesel dos ônibus e
caminhões é pródigo em dióxido de enxofre (SO2) também presente em grandes
quantidades na fumaça das fábricas e na combustão do carvão. Misturados com
as nuvens carregadas de umidade, de dois elementos corrosivos muito divulgados
em filmes de terror: os ácidos sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3). Um verdadeiro
coquetel gasoso - e nocivo. Que atinge tanto cidades como o campo, pois se
propaga com a chuva.
47
Diversas podem ser as conseqüências desse fenômeno, denominado
chuva ácida, porque ocorre durante as precipitações. Recentemente, 700
cientistas de todo o mundo reuniram-se na Carolina do Norte (U.S.A.) para
discutir o assunto, tendo sobrado relatos alarmantes. Cerca de 10 mil lagos na
Suécia perderam suas algas, peixes e pássaros, o mesmo tendo ocorrido em duas
mil lagoas da Noruega. Quase a metade das florestas da Alemanha apresenta
manchas amareladas (por falta de cálcio e magnésio) e estão perdendo a
folhagem. Especialistas denunciam que o mármore dos templos gregos e do
famoso Taj Mahal, na Índia, está se transformando em gesso macio - devido à
corrosão .
Malefícios - É lógico que algo capaz de desmanchar prédios não poderia
ser benéfico aos humanos. E o primeiro a "sentir o cheiro do problema no ar" é
mesmo o nariz, que fica mais afeto à sinusite, trancado pelo muco e irritadiço
para quem tem alergias como a asma. A conjuntivite nos olhos é um segundo
malefício, bem como a disposição a infeções nos brônquios e pulmões.
Estariam os porto-alegrenses sujeitos a esse fenômeno? Dificilmente,
pelo menos a curto prazo. Embora a concentração de poluentes esteja acima do
tolerável em algumas áreas da cidade (notadamente na Ceasa, pela proximidade
com indústrias, e na Praça XV), cálculos feitos um ano atrás demonstram que o
pH ali situa-se ao redor de 5, isto é, cerca de cinco vezes mais ácido que uma
chuva normal, com pH 5,6. A medida é o potencial de íons positivos de
hidrogênio em uma determinada solução. Quanto menor for o pH, maior a acidez
- que ainda não atemoriza os cientistas gaúchos.
A explicação pode estar no solo do estado. É necessário ressaltar que a
formação de chuva ácida depende também das substâncias terrenas. Quando a
terra é bastante alcalina (básica ou salgada, com pouca acidez), ocorre o
chamado tamponamento, ou seja, o ácido é neutralizado. Parece ser esta a
situação do território gaúcho, bombardeado durante os últimos 25 anos com
milhares de toneladas de calcário - justamente para a correção de acidez,
aumento da fertilidade do solo e maior produtividade da lavoura. Prática
condenável em alguns aspectos, mas que pode reduzir a ameaça da poluição
corrosiva.
Fonte: Zero Hora, 18 de maio de 1990.
Atividades:
a) Destaque no texto lido o indicativo da origem do SO2.
J
48
b) Quais as características físicas e químicas do enxofre?
c) Equacione a reação de obtenção do SO2.
d) Represente um modelo para a molécula de SO2.
e) A que classe de composto químico pertence o SO2? Qual seu
comportamento na água? Por que?
f) Equacione a reação.
g) Se você obteve na reação acima H2SO3, está correto. No entanto, o SO2
retorna à terra como ácido sulfúrico.
Existem dois mecanismos propostos para a transformação do SO2 em
ácido sulfúrico:
1) O dióxido de enxofre reage com peróxido de hidrogênio, presente no
ar. Equacione a reação.
2) O dióxido de enxofre reage com o vapor da água, conforme você
equacionou na questão ‘f’. O ácido sulfuroso então se dissocia:
H2SO3 + H2O Û HSO3-(aq) + H3O+(aq)
O íon bissulfito (HSO3-) reage então com peróxido de hidrogênio (esta é
uma reação redox):
2 HSO3-(aq) + H2O2 Û 2 H2SO4
h) Pode-se dizer que o peróxido de hidrogênio é o agente oxidante na
transformação do SO2 em H2SO4. O ácido sulfúrico, em sua forma ionizada, é um
dos componentes da tão temida chuva ácida. Equacione a ionização do ácido
sulfúrico.
i) Para calcular:
Em 1990 eram eliminados diariamente 2,5 ton de resíduos de SO2 no ar
de Porto Alegre por dia. Considerando estes dados e a equação de combustão do
enxofre, calcule a quantidade de enxofre queimada diariamente em Porto Alegre.
3.4.1 Efeito do SO2 na fotossíntese.
O SO2 bloqueia a fotossíntese por destruição da clorofila. No interior
das células o SO2 reage com a água formando o H2SO3, podendo atingir uma
acidez bastante elevada que provoca o bloqueio da enzima ribulose difosfato
carboxidismutase, fundamental para a fixação do CO2, e que também estimula a
respiração. Os íons SO3
2- podem combinar-se com uma série de proteínas e com
as membranas das células, perturbando não só o equilíbrio hídrico como o
49
metabolismo das células; isto leva à alterações fisiológicas como a morte ou
destruição de grupos de células.
Fonte: Química Nova, julho de 1990, volume 13 número 3
Observação: Um detalhe interessante é que o SO2 é utilizado como conservante,
principalmente em bebidas alcóolicas, sendo admitidos 0,002%. Você pode saber
se sua bebida contém este conservante procurando no rótulo pelo código P.V.
50
4 - CHUVA ÁCIDA
A CHUVA ÁCIDA JÁ CHEGOU
A deterioração da qualidade da água e as chuvas são uma realidade na
Região Metropolitana de Porto Alegre. A constatação é de duas pesquisadoras da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que no últimos cinco anos
realizaram monitoramento constante da presença de compostos de enxofre (S) e
cloro (Cl) na atmosfera úmida da capital gaúcha.
A engenheira civil Liana Milano e a engenheira química Carmen Castro,
ambas funcionárias do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, fizeram de
1985 a 1990 análises sistemáticas da qualidade da água da chuva coletada em 23
pontos diferentes da região metropolitana. A pesquisa faz parte de um convênio
com o setor de meio ambiente da refinaria Alberto Pasqualini, da Petrobrás.
Os resultados obtidos são inquietantes. Durante o ano de 1987 foi
constatado em um dos pontos da cidade, por exemplo, que 65% das coletas
apresentaram precipitação de chuva ácida - aquela que tem pH (potencial de
Hidrogênio) igual ou inferior a 5,6.
A chuva ácida é uma das piores conseqüências da ação de poluentes na
atmosfera. Compostos de enxofre (S), nitrogênio (N) e cloretos (Cl), por exemplo,
se transformam em ácidos quando em contato com atmosfera úmida. São
indicadores, portanto, de altos índices de poluição.
Estes ácidos, liberados para o ar pelos canos de escapamento dos
veículos e descargas industriais, voltam à terra com as precipitações
pluviométricas. A chuva ácida é extremamente nociva a vegetais e também
apontada como responsável pelo extermínio da vida em grandes mananciais de
água.
Floresta Morta - Usinas termoelétricas dos Estados Unidos e Canadá
foram recentemente denunciadas como causa da matança de florestas de
coníferas nos montes Apalaches e também pela morte de 10% dos lagos no
nordeste da América do Norte. A causa seria chuva ácida.
Já na Europa o cálculo é de que 70 milhões de toneladas anuais de
dióxido de enxofre (SO2) foram liberadas na última década, provocando chuvas
ácidas que afetaram 41% das florestas da Europa Oriental.
A chuva ácida na região metropolitana de Porto Alegre jamais trouxe
efeitos alarmantes como as registradas na Europa e Estados Unidos - mas é uma
novidade preocupante. É nesta área que o Estado concentra 30% da população
51
gaúcha, 70% da frota de veículos e 70% das atividades industriais, o que explica
a existência de intensa poluição atmosférica.
As suspeitas veiculadas anteriormente são de que apenas a região de
Bagé poderia apresentar no Estado este tipo de poluição, em virtude das
emanações da usina termoelétrica de Candiota (elas chegaram inclusive a gerar
protestos oficiais do governo do Uruguai, que se diz atingido pela chuva ácida
originada na indústria brasileira).
Efeito neutralizante - As pesquisadoras da UFRGS constataram que a
ocorrência de chuva ácida é maior nos dias frios. Seria o princípio de uma
inversão térmica (queda de poluentes, provocada pelo esfriamento da atmosfera)?
Liana e Carmen não se atrevem a afirmar isso, até por falta de exames
aprofundados.
O fenômeno, curiosamente, parece ter diminuído de intensidade nos anos
posteriores. Em 1988 foi constatada chuva ácida em 50% das amostras coletadas.
O número caiu para 33% em 1989 e atingiu 22% de freqüência em 1990.
Uma explicação possível para a queda nos registros de chuva ácida é a
presença cada vez maior de cálcio (Ca), magnésio (Mg) e potássio (K) na
atmosfera metropolitana. Estes elementos químicos, apesar de poluentes, são
básicos - elevam o pH e neutralizam em parte a acidez. A análise do ar, ano a
ano, reforça esta hipótese. O pH médio de 1987 foi de 5,2, com baixa carga
neutralizante. Em 1988 o pH médio subiu para 5,6 e em 1990 chegou a 6,2 com
alto índice de compostos neutros.
O IPH possui instalado, no alto de um prédio, um aparelho para a coleta
de chuva ácida. Faltam verbas para incrementar as medições, que diminuíram no
início desta década. Os indícios, porém, não mentem. O que fazer? As técnicas da
UFRGS recomendam as providências clássicas, como redução nas emissões de
enxofre e instalação de catalisadores nos automóveis (ainda na fábrica,
providência que só agora chegou ao Brasil)
Fonte: Zero Hora/ Caderno Vida de 7 de junho de 1992.
4.1. - A água da chuva
A água destilada é convencionalmente dita neutra, isto é, possui um
equilíbrio entre íons H+ e OH-, de acordo com a equação:
2 H2O Û H3O+ + OHou,
simplesmente:
52
H2O Û H+ + OHA
25°C, por determinações experimentais, se observou que o produto
iônico da água era 10-14 M, ou seja:
Kw = 10-14 = [H+] [OH-]
donde se conclui que
[H+] = [OH-] = 10-7 M
Figura XIV: A química da chuva
O químico sueco Sörenssen estabeleceu, em 1909, uma escala de acidez e
basicidade, mais prática de ser usada e as chamou, respectivamente de pH
(potencial de hidrogênio para a acidez) e pOH (potencial oxidriliônico para a
basicidade) e as definiu como sendo o logaritmo negativo, respectivamente, das
concentrações hidrogeniônica e oxidriliônica:
pH = -log [H+] = log 1/[H+]
pOH = -log [OH-] = log 1/[OH-]
Daí vem, para a água destilada:
53
[H+] = 10-7 M ; pH = 7
[OH-] = 10-7 M ; pOH = 7
que são consideradas substâncias neutras de acordo com as definições de ácidos e
bases de Arrhenius e as de Sörenssen. A escala criada vai de 0 a 14, sem unidade,
conforme pode ser visto abaixo:
Fonte: Superinteressante, maio/90
Figura XV: Escala de pH
Atividades:
a) Explique por que quanto menor o pH maior a acidez.
b) Na Figura XV se observa que o pH da chuva normal é 5,6. Por quê?
J
54
A chuva não é uma substância pura. Apresenta dissolvidos uma série de
substâncias tais como Na+, Ca2+, Mg2+, K+, Cl-, SO4
2-, NH4
+, NO3
- e também a
dissolução do CO2 atmosférico com estabelecimento do equilíbrio:
CO2 + H2O Û H2CO3 Û H+ + HCO3-
Os íons acima são principalmente provenientes da evaporação da água do
mar e o CO2 é próprio da atividade vital na superfície do planeta. O determinante
na acidez da chuva normal, não poluída, é o H2CO3, um ácido fraco.
Embora se aceite como padrão de acidez da chuva o valor de pH 5,6,
estes podem mudar em função de condições locais. Por exemplo, na floresta
amazônica a chuva é ligeiramente mais ácida devido à grande atividade da
floresta.
Convencionalmente, no entanto, se definiu uma chuva ácida como sendo
aquela onde os valores de pH são inferiores a 5,6.
Os ácidos sulfúrico e nítrico, conforme já visto, são ácidos fortes e
portanto tem alto grau de ionização (respectivamente 61% e 92%). Sua presença
na atmosfera influencia fortemente o pH da chuva.
c) Represente as equações de ionização doa ácidos sulfúrico e nítrico.
d) Por que, conforme o texto, um pH = 5 é cinco vezes mais ácido que um
pH = 5,6 e um pH = 4,5 é dez vezes mais ácido que o pH = 5,6 ?
e) Relacione e explique, baseado no texto, os prejuízos causados ao meio
ambiente pela chuva ácida.
4.2. - Males para a saúde
Desde que os cientistas começaram a estudar os efeitos da chuva ácida,
especulou-se sobre os danos que causaria ao organismo humano. Mas os médicos
não chegaram a resultados conclusivos. Segundo o patologista Paulo Saldiva, do
Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP, tudo indica que as
partículas ácidas presentes na chuva têm efeito cumulativo sobre o organismo,
podendo acelerar o desenvolvimento de doenças em pessoas menos saudáveis. Em
geral, antes de alcançar os pulmões, as partículas se acumulam no nariz e na
55
garganta, informa: "quando isso acontece, pioram os casos de asma, rinite e
sinusite alérgica".
Se as partículas de ácido sulfúrico e ácido nítrico solúveis na chuva se
infiltram nos brônquios, reduzem os seus mecanismos de defesa contra infeções.
Isso, segundo Saldiva, predispõe ao aparecimento de broncopneumonias. "Se
chegam aos pulmões", diagnostica, "podem aumentar os riscos de enfisemas." Ele
acredita que o acúmulo de secreção, a forma de defesa do organismo contra os
intrusos, pode obrigar o coração a um trabalho extra para bombear o sangue
através dos pulmões - o que predisporia a doenças cardiovasculares. Por último,
os olhos expostos à poluição da chuva têm probabilidade maior de apresentar
conjuntivite.
Fonte: Zero Hora
Fonte: Superinteressante, maio/90
Figura XVI:- Males da chuva ácida sobre o organismo
56
Atividades:
a) Por que a chuva ácida ataca fundamentalmente o sistema respiratório e
os olhos?
b) No texto do ítem 3 temos a afirmação: "Quase a metade das florestas
da Alemanha apresenta manchas amareladas (por falta de cálcio e magnésio) e
estão perdendo a folhagem".
Observe a Figura
XVII e explique a afirmativa
do texto.
A função dos elementos químicos:
N, P, K, Ca, Mg, e S nas plantas.
Nitrogênio (N) - favore o crescimento
vegetativo e a folha-gem
mais verde.
Fósforo (P) - formação de raí-zes,
flores, frutos e sementes. Respiração
dos vegetais
Potássio (K) - restência das fol-has a
doenças, formação de car-boidratos,
colmos resistentes.
Cálcio (Ca) - formação das pa-redes
celulares e raízes. Absor-ção de
nutrientes.
Magnésio (Mg) - constituinte
essencial da molécula de clo-rofila e
ativador de enzimas.
Enxofre (S) - Composição de
aminoácidos e vitaminas.
Figura XVII: Nutrientes minerais e sua função nas plantas
c) Ainda na mesma parte do texto se lê:
"Especialistas denunciam que o mármore dos templos gregos e do famoso
Taj Mahal, na Índia, está se transformando em gesso macio - devido à corrosão".
J
57
Explique a afirmativa, justificando-a com a reação química que ocorre
com o mármore (Carbonato de cálcio).
d) Por que a chuva ácida não causa ainda preocupação aos cientistas
gaúchos?
e) No Brasil já está havendo preocupação com os efeitos da chuva ácida,
principalmente na Floresta da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro; no Parque
Florestal do Rio Doce, nas proximidades do Vale do Rio do Aço em Minas Gerais
e na Serra do Mar entre São Paulo e Cubatão. Por que?
f) Equacione a reação de neutralização da chuva ácida (considerando-a
formada pelos ácidos sulfúrico e nítrico) que poderia estar ocorrendo nos solos do
Rio Grande do Sul por efeito do tamponamento ocasionado pelo uso extensivo do
calcário (CaCO3) para correção de acidez do solo.
g) A Usina Termoelétrica de Candiota II despeja na atmosfera,
diariamente, cerca de 45 toneladas de enxofre. Cada 100 toneladas de carvão que
são queimados para a geração de energia elétrica, produzem 1 tonelada de enxofre.
1) Quantas toneladas de carvão são queimadas diariamente? Qual a
percentagem de enxofre do carvão?
2) Quanto de SO2 é produzido por dia?
3) Supondo uma transformação de 100%, quanto de H2SO4 seriam
produzidos por dia pela usina?
58
5. COMBUSTÍVEIS
5.1. - Introdução
O meio ambiente conta com limitadas possibilidades de absorver as
substâncias tóxicas e regenerar-se. Até agora temos ignorado este fato elementar,
usando como ponto de referência as exigências de uma máquina produtiva que
raciocina exclusivamente com base na quantidade e no lucro. E esta alteração
violenta do equilíbrio ambiental criou o hábitat ideal para o desenvolvimento dos
tumores.
Fonte: Cesar Maltoni, do Instituto Oncológico de Bologna, Itália in Combustível
Verde - O grande jogo de interesses, Zero Hora, 14/08./91
GAÚCHOS USAM ADITIVO SUSPEITO
A Adição do MTBE à gasolina foi proibida no Paraná
e em outros estados brasileiros
A maioria dos 22,9 milhões de veículos do Rio Grande do Sul usa desde
1990 um aditivo na gasolina que está sendo proibido em outras cidades do Brasil
e do Exterior. Recentemente, as autoridades do Rio de Janeiro, São Paulo e
Paraná vetaram a mistura do composto chamado MTBE (metil tercio butil éter)
na gasolina, porque agravaria a poluição, aumentaria o consumo de combustível
em 5% e desregularia os motores dos automóveis. Baseado em laudo da
Universidade de Virgínia (Estados Unidos), o prefeito de Curitiba, Rafael Greca
(PDT), alertou que o MTBE pode causar até câncer. O presidente da Petrobrás,
Joel Mendes Rennó, anunciou ontem que o aditivo será usado por pouco tempo,
até a retomada da produção de álcool. Segundo Rennó, pesquisas feitas nos
últimos 15 anos não comprovaram a nocividade do produto.
A Petrobrás está misturando 14% de MTBE na gasolina em substituição
ao álcool anidro, que começou a faltar nas refinarias. No Rio Grande do Sul, o
MTBE vem sendo utilizado há seis anos, porque custava mais caro trazer álcool
anidro de Ourinhos, São Paulo. O superintendente da Refinaria Alberto
Pasqualini (Refap), Kuniyuki Terabe, garante que o MTBE não polui nem afeta a
saúde das pessoas. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam)
autorizou o uso do MTBE, que é volátil como o éter e produzido a partir do
petróleo.
59
Nos últimos dias, porém, autoridades do Rio de Janeiro, São Paulo e
Paraná deflagraram campanha contra o MTBE. A Companhia de Tecnologia e
Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb) reclamou que o aditivo polui,
aumenta o consumo e desregula motores. Na segunda-feira passada, o prefeito de
Curitiba, Rafael Greca, proibiu o MTBE. Na noite de terça, o governador Jaime
Lerner (PDT) estendeu o veto a todo o Paraná.
O prefeito de Curitiba recebeu estudo do professor Michael Walsh, da
Universidade de Virgínia, que aponta o MTBE como causador de câncer, náusea
e irritação dos olhos. Rafael Greca também desconfia dos argumentos da
Petrobrás sobre a suposta escassez de álcool anidro, que é adicionado na
proporção de 22% à gasolina. A Associação dos Produtores de Álcool do Paraná
informou a Grecca que as 28 indústrias do Estado produziram 1,07 bilhão de
litros na safra 1995/96. A ministra da Indústria, do Comércio e do Turismo,
Dorothéa Werneck, deve se reunir hoje com Jaime Lerner. Se estiver sobrando
álcool no Paraná, o MTBE não será usado.
O exemplo paranaense está se alastrando. Ainda na segunda-feira, os
prefeitos de Ribeirão Preto, Araraquara e Piracicaba, em São Paulo, proibiram a
venda da gasolina com MTBE. Na terça-feira, foi a vez de Campinas. Outros 200
municípios paulistas podem fazer o mesmo nas próximas horas. A filial brasileira
do Greenpeace - o maior grupo ecológico do mundo - também está alertando
para os riscos do MTBE. Roberto Kishinami, do Greenpeace de São Paulo,
lembrou que a Environment Protection Agency (a EPA, Agência de Proteção
Ambiental dos EUA) descobriu, no final do ano passado, que o MTBE pode
causar câncer nos operários das refinarias e frentistas de postos de combustível.
A EPA constatou que pedestres e motoristas, se expostos por muitos anos às
emanações do aditivo, também podem contrair câncer.
O QUE É O ADITIVO?
O MTBE foi autorizado pela FEPAM
O superintendente da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), Kuniyuki
Terabe, garantiu ontem que o aditivo MTBE não aumenta a poluição e continua
sendo usado nos Estados Unidos, Japão, Canadá e países da Europa. “Se tem
alguma coisa de ruim, é como a gasolina e o óleo diesel”, observou Terabe,
ressaltando que os Estados Unidos consomem 200 mil barris de MTBE por dia - o
equivalente a toda a gasolina gasta no Brasil no mesmo período. A Refap passou
a utilizar o álcool anidro em substituição ao chumbo-tetra-etila, que
comprovadamente causa câncer e deformações genéticas. Com a escassez do
álcool, a Refap optou pelo MTBE a partir de 1990.
60
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que autorizou a
mistura do MTBE à gasolina, concorda com a Refap. “Não é tão violento como
estão falando”, disse o engenheiro de qualidade do ar da Fepam Tarcísio Isaía.
Testes feitos pela Petrobrás detectaram que o MTBE aumenta em 41,5% as
emanações de monóxido de carbono, mas diminui em 7% a poluição de
hidrocarbonetos e dióxido de nitrogênio. A Fepam está instalando três estações
na Capital, para medir a poluição do ar.
O Estado não tem estudos conclusivos sobre os possíveis malefícios do
MTBE. O especialista em saúde pública Fernando Pohlmann Livi entende que o
aditivo não é o único responsável. Professor de geografia da UFRGS, Livi alertou
que o mais grave são as emissões de monóxido de carbono (queima de
combustível) e o material particulado (fumaça de óleo diesel, desgaste de pneus,
poeira).
A gaúcha Copesul produz o MTBE desde 1990. Atualmente, são 10
milhões de litros por mês. O executivo comercial da empresa Bruno Piovesan,
garantiu ontem que o MTBE melhora a qualidade da gasolina. Segundo, a
poluição é causada pela queima de qualquer tipo de combustível. O MTBE tem a
função de oxigenar a gasolina, diminuindo a poluição.
Fonte: Zero Hora, 25/04/96.
5.2 Pr incipais Combustíveis
GASOLINA
Gasolina é uma mistura de hidrocarbonetos (naftas), variando de quatro a
doze átomos de carbono e sua faixa de destilação situa-se entre aproximadamente
35°C a 220°C. Os constituintes da gasolina são da série parafínica, olefínica,
naftênica e aromática e suas proporções resultantes dos processos de refinação
balanceadas de modo a atender aos requisitos de desempenho do produto final.
Os principais tipos de naftas que constituem a gasolina são obtidos a
partir do gás natural, que é constituída de hidrocarbonetos leves apresentando alta
pressão de nafta e baixa densidade e devido as suas características de volatilidade
não pode ser utilizada diretamente nos motores, e de diversos processos de refino.
No Brasil os principais processos de refino são a destilação direta e o
craqueamento catalítico. No processo de destilação direta obtém-se a nafta leve e
pesada, ambas com alto teor de hidrocarbonetos parafínicos, devendo portanto
serem misturadas a outras correntes de refinaria para constituirem a gasolina. As
naftas pesadas servem ainda de carga para a unidade de reforma catalítica.
61
Entre as propriedades da gasolina, destaca-se a volatilidade, que permite a
vaporização no carburador e a mistura com o ar antes de se introduzir nos
cilindros. Consegue-se,assim, uma boa partida no motor, com um consumo
pequeno de combustível.
Com referência ao poder antidetonante, convém esclarecer que se trata de
outra importante propriedade da gasolina, seu comportamento varia em função da
chamada razão de compressão do motor, que vem a ser a proporção entre a
quantidade máxima e minima de espaço pelos gases no cilindro, antes e depois da
explosão. As propriedades antidetonantes da gasolina são traduzidas pelo índice de
octanos, este índice é conseguido pela comparação com misturas padrões de
isooctano puro.
ETANOL
O etanol ou álcool etílico é o álcool comum. No Brasil é obtido por
fermentação do açúcar de cana, a invertase e a zimase são duas enzimas que
catalisam essas reações, elas são produzidas pelo microorganismo Saccharomyces
cerevisae, encontrado no fermento ou levedura de cerveja.
O álcool anidro possui índice de octano superior ao da gasolina. Por isso,
quando utilizado em mistura com esse derivado aumenta a octanagem.
No Brasil, o álcool etílico produzido atualmente, 85% são destinados
como combustíveis, distribuindo-se entre anidro para mistura com a gasolina e
hidratado para ser usado em veículos com motor especialmente desenvolvido para
este combustível.
ÓLEO DIESEL
O óleo diesel é um líquido mais viscoso que a gasolina, de cor que varia
do amarelo ao marrom, possuindo fluorescência azul. Sua viscosidade, no caso dos
motores diesel de alta velocidade, é característica primordial, considerando que
através dessa viscosidade é garantida a lubrificação do mecanismo de injeção de
óleo e se obtém uma atomização adequada.
O fato de ser mais viscoso que a gasolina faz com que não ocorra perdas
por evaporação. É um combustível que praticamente não oferece risco de incêndio
em caso de acidente.
O óleo diesel é classificado como sendo produto constituído de frações
superiores ao querosene e inferiores aos lubrificantes.
Diesel Metropolitano
Em agosto de 1992, o jornal Zero Hora publicava uma matéria afirmando
que naquele ano a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) iria triplicar o
62
fornecimento de diesel metropolitano, uma vez que esse combustível tem menor
teor de enxofre, consequentemente o nível de poluição causado é menor. O diesel
metropolitano continua sendo usado justamente por ter sido provado que é menos
poluente.
Esse diesel tem 0,5% de enxofre, a metade de enxofre do diesel comum,
foi desenvolvido pela Refap a partir de maio de 1990, em um sistema pioneiro de
seleção de qualidade de petróleo. O Petróleo tem diferenças de características
desde a sua origem, entre estas diferenças está o teor de enxofre. A idéia foi, então,
separar o petróleo de baixos teores de enxofre desde a chegada na refinaria e não
permitir mais que ele se misture com o produto de alto teor de enxofre até o refino
completo e a distribuição pelas companhias distribuidoras.
GÁS NATURAL
Gás exalado da terra em várias regiões petrolíferas, essencialmente
constituído de metado (CH4). Proveniente do petróleo, podendo também ser obtido
através da reciclagem do lixo, tem composição de 1 a 2 carbonos e possui ponto
de ebulição entre -162 ºC e -75 ºC.
O gás natural é ótimo combustível, não só pelo seu alto poder calorífico
como também pelo fato de ser menos poluente que os derivados do petróleo. E
também uma ótima matéria prima para a indústria petroquímica, já que contém
menos impurezas.
METANOL
O metanol é um tipo de álcool que pode ser produzido a partir de
madeira, do carvão mineral, do gás natural e de outras fontes menos utilizadas.
Usado no Brasil para suprir a falta de etílico, o metanol causou muita polêmica por
ser uma substância tóxica.
Vários processos industriais aplicam o metanol. A indústria de cosméticos
praticamente não existiria sem o metanol. A fórmula Indy e até o "hobby" do
aeromodelismo consomem metanol. No Brasil, o preconceito com o metanol
surgiu da falta de informação. A gasolina também é uma substância tóxica mas as
pessoas se acostumaram a lidar com ela.
A mistura de álcool com metanol utilizada no Brasil diminuía os riscos de
intoxicação pelo manuseio, uma vez que o álcool atua no organismo humano como
uma espécie de antídoto do metanol. Estudos de organizações ambientais
americanas afirmam inclusive que o metanol age positivamente na reconstituição
da camada de ozônio, uma das maiores preocupações dos ecologistas.
63
ELETRICIDADE
Os carros elétricos, movidos à bateria, podem ser uma excelente solução
sob o ponto de vista ambiental. O problema é que não há ainda tecnologia para
viabilizar seu uso em larga escala, principalmente quanto a autonomia. Para que os
carros elétricos se tornem comercialmente viáveis, é necessário desenvolver
baterias de longa duração, capazes de rodar muitos quilômetros sem precisar de
recarga.
5.3- As emissões automotivas
5.3.1 - Combustão
Sob condições ideais, o combustível é transformado em energia mecânica,
e do processo de combustão restariam apenas: o dióxido de carbono (CO2), água
(H2O) e nitrogênio (N2), sendo estes componentes inofensivos ao meio ambiente.
Porém, na realidade, 1% do que é expelido pelo escapamento
corresponde a gases tóxicos que se formam devido à combustão incompleta ou às
altas temperaturas da câmara de combustão.
Assim sendo, os gases emitidos pelo automóvel compõem de cerca de
99% de elementos inofensivos. Apenas a parte restante, de aproximadamente 1%,
é composta de parcelas consideradas relevantes ao meio ambiente.
Emissões de veículos a gasolina Emissões de veículos a álcool
Observação:. Os dados a cima foram obtidos com o veículo em movimento, com velocidade
constante, e sem nenhum sistema de controle de emissões incorporado.
5.3.2. - Razão Estequiométrica
64
Chamamos de razão estequiométrica a relação ar/combustível dos
motores de combustão interna e foi simbolizada por uma letra do alfabeto grego,
lambda.
A relação ideal para motores a gasolina é de aproximadamente 14:1,
quando teremos lambda igual a 1. Isto significa que para queimarmos 1 Kg de
gasolina (combustível) são necessários 14 Kg de ar (comburente).
Uma mistura de 16:1 indica uma mistura pobre com lambda maior que
um (lambda > 1), (muito O2 ).
Uma relação de 12:1 indica uma mistura rica com lambda menor que um
(lambda < 1), (pouco O2).
Dependendo do combustível utilizado, teremos razões estequiométricas
distintas. Por exemplo, para a gasolina com 22% de álcool teremos lambda igual a
1 com uma razão por volta de 13:1, enquanto que para o álcool combustível
lambda igual a 1 equivale a aproximadamente 9:1.
5.3.3. - Relação entre lambda e potência de consumo
Os motores alcançam a máxima potência com lambda entre 0,9 e 0,95, e o
menor consumo entre 1,0 e 1,1, conforme o gráfico.
Os limites de funcionamento estão entre lambda 0,7 e 1,3, ou seja uma
mistura fora destes limites não queima.
Conforme a proporção da mistura, os motores emitem mais ou menos
poluentes.
65
Obs.: Estes dados são referentes a um veículo movido a gasolina em movimento, com velocidade
constante e sem nenhum sistema de controle de emissões.
Gráfico III: Lambda X Potência/Consumo
Abaixo temos um gráfico que ilustra a participação do monóxido de
carbono (CO), hidrocarbonetos (HC) e óxidos de nitrogênio (NOx) em relação a
lambda (l).
66
Gráfico IV: Participação dos poluentes na razão estequiométrica
Justifique os valores deste gráfico em função de l.
5.4 -O que pode ser feito
Vimos, nas páginas anteriores, as características, dimensões e problemas
da poluição do ar. Estudamos a química do envenenamento do ar. Constatamos
que tudo começou com a Revolução Industrial e com a ânsia de progresso e lucro
a qualquer preço das elites econômicas e políticas da humanidade.
67
Sabemos também que os ambientalistas, rotulados de loucos há alguns
anos, hoje são vozes respeitadas e ouvidas porque suas previsões alcançam
também a casa e a vida dos ricos.
Também não ignoramos que estamos todos, ricos e pobres, Primeiro e
Terceiro mundos, no mesmo barco, na mesma nave Terra, cujo naufrágio afundará
a todos.
Por isto, independente de qualquer posição política, precisamos todos
agir, e rápido, para revertermos esta situação.
Este é o objetivo principal deste trabalho que será alcançado na medida
em que maior número de pessoas tiverem conhecimento e consciência da situação.
Assim como vimos a química explicar o envenenamento da atmosfera,
vamos ver também o que ela faz e pode fazer para que esta situação se modifique.
A mudança de comportamento deve se dar tanto no individual como no
coletivo.
5.5 - Mecanismos de controle de poluição
5.5.1. - Catalisador
Conhecido também como conversor catalítico de três vias, é assim
chamado porque reduz em cerca de 70% os três principais poluentes produzidos
pelos motores a álcool e a gasolina:
- Monóxido de carbono (CO)
- Hidrocarbonetos (HC)
- Óxidos de nitrogênio (NOx)
O catalisador possui dois elementos CERÂMICOS com formato de
colméia, os quais recebem, um tratamento superficial de metais ativos permitindo
assim uma grande área de contato com os gases.
A manta de amianto, além de proporcionar isolamento térmico, possibilita
a dilatação da colmeia sem danificá-la devido às altas temperaturas de
funcionamento.
Os veículos com emissões controladas são equipados com dois
catalisadores diferentes, um para veículos a álcool e outro para veículos a gasolina,
embora seu funcionamento seja basicamente o mesmo.
A diferença nos dois componentes se deve à aplicação de metais ativos.
Para o álcool são usados o paládio (Pd) e o molibdênio (Mo) e para a gasolina o
paládio (Pd) e ródio (Rh).
68
Fonte: AUTOLATINA
Figura XVIII: Alquimia antipoluição
Os gases de escapamento contendo hidrocarbonetos (HC) e monóxido de
carbono (CO) passam pelo catalisador e o paládio (Pd) inicia um processo de
OXIDAÇÃO (reação de queima) e como resultado teremos vapor d'água (H2O) e
dióxido de carbono (CO2).
Para controlar os óxidos de nitrogênio (NOx) é necessário uma reação de
separação chamada REDUÇÃO, que é na realidade o contrário da OXIDAÇÃO,
pois remove o oxigênio (O2) dos óxidos de nitrogênio (NOx) transformando-o em
nitrogênio (N2) e oxigênio (O2). Essa redução utiliza o molibdênio (Mo) ou o
ródio (Rh) - dependendo do catalisador - para facilitar a reação química.
Os metais ativos paládio (Pd), molibdênio (Mo) e o ródio (Rh) utilizados
nas reações acima são elementos catalisadores pois auxiliam os processos de
redução e oxidação. Daí o nome conversor catalítico ou simplesmente catalisador.
A oxidação libera calor. Por esse motivo, a temperatura de trabalho do
catalisador é de aproximadamente 350°C, quando ele apresenta 100% de
rendimento. Isso quer dizer que, por exemplo, nos primeiros momentos de
69
funcionamento do motor, quando o catalisador ainda estiver abaixo de 250°C ele
não fará integralmente a conversão dos gases.
Outra necessidade para o rendimento total do catalisador é a mistura. O
valor de lambda deve estar entre 0,95 e 1,05. Caso a mistura esteja muito rica, com
lambda menor que 0,95, não haverá oxigênio suficiente para a oxidação do
monóxido de carbono (CO) e dos hidrocarbonetos (HC), caso contrário, mistura
pobre com lambda maior que 1,05 a reação de redução (retirada de oxigênio) dos
óxidos de nitrogênio (NOx) não será adequada devido ao excesso de oxigênio (O2)
nos gases de exaustão.
O catalisador normalmente assimila uma pequena quantidade de sais de
enxofre. Caso a mistura se torne rica o catalisador tende a liberar esse enxofre o
que será facilmente notado pela presença de um odor desagradável.
Observações:
¨ O Chumbo, aditivo anti-detonante para a gasolina, assim como alguns
outros metais, reagem com os metais ativos, inutilizando o catalisador.
¨ A presença de óleo no catalisador cobre a colmeia não permitindo que
ocorram as reações químicas.
¨ Combustível no catalisador também é prejudicial, pois a 300ºC poderá
entrar em combustão caso haja qualquer infiltração de ar (comburente) pelo
sistema de escape ou pelas juntas do catalisador.
A seguir, podemos observar dois gráficos que mostram os efeitos do
catalisador sobre os gases tóxicos e sobre o oxigênio.
HC - Hidrocarbonetos
CO - Monóxido de carbono
NOX Óxidos de nitrogênio
O2 - Oxigênio
Fonte: AUTOLATINA
Gráfico VI: Medição dos gases antes do catalisador
70
HC - Hidrocarbonetos
CO - Monóxido de carbono
NOX Óxidos de nitrogênio
O2 - Oxigênio
Fonte: AUTOLATINA
Gráfico VI: Medição dos gases antes do catalisador
Compare os dois gráficos e tire conclusões sobre o efeito do uso de
catalisadores na composição dos gases emitidos:
Cuidados a serem tomados em veículos equipados com catalisador:
Combustível:
¨ Utilize somente gasolina do tipo "C", sem chumbo e com 21 a 23% de
álcool etílico anidro.
¨ Nos motores a álcool utilize álcool etílico hidratado com no máximo 3
% de gasolina.
¨ Nunca utilize aditivos ao combustível a não ser quando recomen-dado
pelo fabricante.
Óleo:
¨ O nível do óleo lubrificante nunca deverá estar acima da marca "máx.",
pois o excesso de óleo poderá impregnar o catalisador prejudicando a
conversão dos gases.
Na oficina:
¨ Examinar o sistema de escapamento, caso haja algum ruído anormal.
¨ Verificar o estado das juntas de vedação do catalisador.
¨ Verificar a incidência de odores desagradáveis, pois isto indica que a
mistura está desregulada.
71
¨ Checar os componente dos sistemas de emissões, sistema elétrico e de
recirculação dos gases.
Na viagem de experiência:
¨ Partida:
i) Utilize corretamente o afogador no processo de partida a frio.
ii) Se o motor não pegar em 5 a 10 segundos repita a operação
obedecendo um intervalo de 30 segundos entre tentativas.
iii) Nunca tente colocar o motor em funcionamento empurrando o veículo
(pegar no tranco).
iv) Nunca acelere o motor desnecessariamente.
¨ Trânsito:
i) Evite transitar em locais alagados que venham cobrir o sistema de
escapamento.
ii) Evite trafegar com o motor falhando.
iii) Ao ultrapassar obstáculos cuide para não danificar o catalisador.
iv) Nunca estacione o veículo sobre materiais ou produtos infla-máveis.
¨ Parada:
i) Somente desligue a ignição com o veículo parado e com motor em
marcha- lenta.
5.5.2 - Injeção eletrônica
A ERA DA ELETRÔNICA EMBARCADA
Se pudéssemos falar numa briga entre a injeção eletrônica e o velho
carburador, teríamos que admitir: não foi um combate justo. Porque o "i" da
"fuel injection" trouxe, para lutar a seu lado, um brutamontes imbatível, o "e", de
"eletronic". De fato, a injeção de combustível só garante muito maior economia,
potência e, principalmente, menos poluição, porque o injetor, e todos os seus
movimentos mecânicos, são controlados por um módulo eletrônico, ou seja, um
microcomputador digital, que tem como cérebro um microprocessador de 8 bits e
controla todas as funções do sistema de alimentação do motor.
O módulo de controle eletrônico é alimentado por um conjunto de
sensores espalhados por todo o carro, que vão carregando a memória do
computador com as informações necessárias para comandar o tipo de mistura
ar/combustível que deve ser enviado para os cilindros do motor. Ele recebe, por
exemplo, informações sobre a rotação do motor, a pressão interna do coletor de
72
admissão (o depósito de combustível), a temperatura da água, a altitude (pressão
e temperatura) do local onde o veículo se encontra e a posição da borboleta de
aceleração. Mas também sobre o avanço da ignição, ou seja, o instante em que
vai se dar a faísca da vela.
Com essas informações, o módulo de controle faz um completo
mapeamento da ignição, de forma a regular a injeção em função da faísca. Isso
evita, entre outras coisas, a detonação, conhecida popularmente como "batida de
pino". E controla o injetor de combustível, de forma a produzir uma adequada
relação ar-combustível, em qualquer condição de funcionamento do motor. Com
a dosagem certa da mistura ar-combustível sendo produzida, obtêm-se melhor
desempenho do veículo, menor consumo (uma vez que a mistura passa a ser
menos rica, e portanto menos esbanjadora) e menor poluição, pois a queima de
gases será obrigatoriamente menor.
Mas as virtudes da injeção eletrônica não param aí. Graças aos
sensores, o módulo central comanda também a válvula de controle de ar da
marcha lenta, nas mais variadas condições de operação do motor. E ainda por
cima, através de um sistema de autodiagnóstico, reconhece e identifica qualquer
problema operacional do sistema e comunica ao motorista acendendo uma luz no
painel de instrumentos. Para os mais exigentes, algumas montadoras, como a
General Motors, oferecem um serviço adicional: com a ajuda de um sensor
instalado no cabo de transmissão, o computador corta o combustível do motor no
momento de desaceleração, propiciando uma economia ainda maior.
Os injetores eletrônicos de combustível que estarão equipando os carros
da linha 92 são de dois tipos: o chamado "single point" (ponto único), produzido
pela Rochester e o adotado pela General Motors, e "multi point" (pontos
múltiplos), fabricado pela Bosch e usado nos carros da Autolatina (Ford e
Volkswagem), da Fiat e também em alguns modelos da GM. Ambos são injetores
eletrônicos de combustível e têm a mesma finalidade: melhorar a qualidade da
dosagem do combustível. Mas o "single" tem um injetor de combustível único, e
portanto distribui uma dosagem igual para todos os cilindros. Já o "multi" é mais
preciso na distribuição, pois conta com uma válvula de injeção para cada
cilindro, que funciona comandada por computador. Neste caso, a dosagem é
diferente para cada cilindro, pois as correntes de fluxo de combustível nas
paredes de cada duto nunca são iguais.
Mas o injetor "single point" parece que terá um fim semelhante ao
reservado ao velho carburador. A melhor forma de cumprir a lei - e poluir menos
- é combinar o "multi point" com o catalisador.
73
Apenas uma questão ainda está em aberto: o governo brasileiro
conseguirá manter o fornecimento do mesmo tipo de combustível em todos os
postos de serviço? Porque se a mistura encontrada hoje não for definitivamente
padronizada, não há injetor que funcione satisfatoriamente. Nem com ajuda da
eletrônica.
Fonte: Carburador com os dias contados. Globo Ciência. v.1, n.2.
5.5.3 - Recomendações gerais
O Que fazer para economizar mais e poluir menos ?
A economia de combustível está diretamente ligada ao estado do carro e à
maneira de dirigir.
Quanto ao carro, a recomendação é tomar os seguintes cuidados básicos
para poupar combustível:
· Manter o carburador bem regulado. Um motor bem regulado, além de
proporcionar uma economia de mais de 10% no consumo de
combustível, evitar a emissão excessiva de gases nocivos na atmosfera.
· Trocar as velas na quilometragem aconselhada pelo fabricante do
veículo.
· Substituir o filtro de ar sempre que estiver sujo. O filtro sujo funciona
como um afogador: deixa entrar menos ar e queima mais combustível.
· Manter a bateria carregada e em boas condições de uso.
· Conservar o óleo do motor sempre no nível.
· Rodar com a pressão adequada nos pneus. O ideal é verificar a
calibragem toda a vez que for abastecer. Pneus mal calibrados ou em
mau estado aumentam o consumo de combustível.
· Evitar carregar peso inútil. Um bagageiro que não está sendo usado, por
exemplo, é um peso morto.
O motorista, por sua vez, pode dirigir com mais economia, adotando
hábitos de bom senso, como:
· Trocar de marcha na rotação correta. "Esticar" as marchas provoca
maior consumo.
74
· Evitar reduções constantes de marcha, acelerações bruscas e freadas em
excesso.
· Evitar paradas prolongadas com o motor funcionando. Nestes casos, é
melhor desligar o motor e dar a partida de novo.
· Não andar a velocidades excessivas.
· Usar o afogador manual somente no momento de dar partida no carro e
empurrar o afogador aos poucos, conforme o motor for esquentando.
· Não esquentar demais o motor do carro na garagem. Além de não trazer
nenhum benefício para o veículo, contamina o ar. É mais econômico e
mais ecológico gastar esse combustível com o carro em movimento. O
certo é esperar somente os segundo necessários para fazer o óleo
circular.
· Tentar manter uma velocidade constante, de preferência em marchas
mais altas.
· Tirar o pé do acelerador quando o sinal à frente estiver fechado ou
houver um congestionamento adiante. Também economiza os freios e
pneus.
· DICA VERDE - Economia de combustível faz bem para o meio
ambiente e para o bolso. Mais quilômetros por litro poupa dinheiro e
polui menos.
Atividades:
a) Observe a Tabela XIV e relacione, num gráfico de colunas, a
quantidade de CO, HC, NOx, SO2 e partículas sólidas lançadas no ar, por
carro/ano.
b) Qual tipo de veículo que mais lança monóxido de carbono no ar ? Por
quê?
c) Qual tipo de veículo que mais lança NOx no ar ? Por quê?
d) E SO2 ? Por quê?
Tabela XIV: Lançamento de poluentes em uma grande cidade (toneladas/dia).
J
75
TIPO DE
FONTE
Número de
veículos CO HC NOx SOx
Par tículas
sólidas
Automoveis
gasolina
1195593 2768 302,7 114,7 23,6 16,9
Utilitários
leves
(gasolina)
578336 1339 146,3 55,5 11,4 8,2
Caminhões
médios
(gasolina)
19213 163,4 33,1 5,5 1,3 0,7
Caminhões
pesados
(gasolina)
35514 576,0 113,3 16,3 5,4 2,9
Caminhões
(diesel)
70370 137,3 22,4 100,3 52,4 8,6
Ônibus 21787 57,5 10,9 58,4 29,6 4,3
TOTAL 1920783 5041,2 628,7 350,7 123,7 41,6
Fonte CETESB
Gráfico:
e) Será que a situação hoje em dia melhorou ou piorou ? Por quê?
f) Levando em conta a crise energética na década de 70 e as medidas
tomadas pelo governo brasileiro, explique o gráfico abaixo considerando:
1) a curva tracejada
76
2)os pontos de inflexão observados no gráfico
Fonte: Silva,E.R. & Silva, R.H. em Álcool e gasolina: combustíveis do Brasil.
Figura XIX: Tendências previstas nas emissões dos veículos.
g) A substituição de combustíveis derivados do petróleo por outros,
provenientes de recursos renováveis, eliminaria os riscos de poluição atmosférica ?
Justifique sua resposta baseando-se na tabela a seguir.
77
Tabela XIV: Poluentes liberados pelo álcool e pela gasolina.
POLUENTES
VEÍCULOS A
CO HC NOx
ÁLCOOL 18,8 1,6 1,1
GASOLINA 40,5 3,8 1,4
Fonte: Murgel, E.M., Revista de Engenharia Sanitária, ABES, Vol 26, nº 3, 1984.
h) Compare estes dados com os fornecidos pelo Gráfico 1.
A quantidade de poluentes emitido pelo escapamento dos automóveis está
relacionado com a proporção de mistura ar-combustível. Observe a Figura XX.
Fonte: Unidades Modulares de Química - CESISP
Figura XX: Relação ar-combustível e a emissão de poluentes.
i) Explique a variação de cada um dos poluentes acima listados em função
do aumento da relação ar-gasolina?
78
j) Qual é a proporção ideal para se obter a combustão completa de
gasolina? Por que?
k)Após os estudos aqui efetuados, que medidas você sugeriria para
diminuir a poluição atmosférica?
l)Analise os 5 maiores valores de cada um dos poluentes, relacionando-os
com a cidade onde ocorrem e as causas prováveis destes valores, na Tabela XV.
Tabela XV: Emissões atmosféricas industriais no ano de 1991.
Município CO HC NO SO2 Poeira
Triunfo 10.300 20.471 33.518 18.969 9.914
Charqueadas 1.346 192 12.216 16.335 16.634
Porto Alegre 2.671 6.060 7.353 9.920 10.107
Canoas 408 2.922 2.880 13.634 3.710
Pelotas 215 1.619 5.331 3.273 7.711
Rio Grande 192 295 1.661 1.082 2.169
Sapucaia do Sul 4.820 1.308 1.098 3.416 11.189
Caxias do Sul 1.602 3.840 3.962 4.550 6.838
Novo Hamburgo 1.184 7.019 2.913 2.983 2.046
Guaíba 329 438 7.695 4.558 1.915
Fonte Zero Hora
m) Explique as conseqüências para a saúde (ver Tabela III e IX) de uma
pessoa que permaneça por 1 hora nas cercanias do Viaduto Obirici (Assis Brasil -
POA) e justifique estes valores.
Tabela XVI: - Dióxido de Enxofre
79
Dióxido de Enxofre (Junho a agosto/92 - em mg/m3 )
João Pessoa 30
HPS 50
Rodoviária 20
Viaduto Obirici 130
Media anual aceitavel 80
Fonte Zero Hora
80
BIBLIOGRAFIA
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Investigaciones sobre Recursos Bióticos, Organização Pan-Americana de
Salud, 1985.
AMBROGHI, Angélica et alli. Unidades modulares de química. São Paulo:
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GOETZE, F. & GLÖCKNER, W. Anorganische und allgemeine chemie.
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HEICKLEN, Julian. Atmospheric chemistry. New York: Academic Press, 1976.
MELLO, William Z. & MOTTA, Jandira S. Acidez da chuva. Ciência Hoje. Rio
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SILVA, Ronaldo H et alli. Curso de Química. Volume 2, 2ª edição. São Paulo,
Harbra, 1992.
SUPERINTERESSANTE, revista. São Paulo.
ZERO HORA, jornal. Porto Alegre.
81
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 01
JUSTIFICATIVAS TEÓRICAS 03
CONTEÚDOS ABORDADOS 04
OPERAÇÕES DE PENSAMENTO PREVISTAS 05
DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO 06
Introdução 06
Ar Limpo X Ar Poluído 13
Contaminantes Primários 16
Chuva Ácida 47
Combustíveis 55
BIBLIOGRAFIA 75

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